Considere que a empresa Alfa tenha influência significativa sobre a empresa Beta e que, em determinado exercício social, a empresa Alfa tenha recebido dividendos da empresa Beta. Considere, ainda, que ambas as empresas são domiciliadas no Brasil e aplicam as normas vigentes no país. Nesse caso, o recebimento de dividendos pela empresa Alfa advindo do investimento na empresa Beta é contabilizado por meio de
- A)débito em bancos e crédito em investimentos em coligada.
Correta: o recebimento dos dividendos aumenta bancos e reduz o saldo do investimento em coligada, pois não há receita nessa situação.
- B)débito em investimentos em coligada e crédito em receita de dividendos
Errada: dividendos recebidos de investida avaliada pela equivalência patrimonial não são reconhecidos como receita do período.
- C)débito em investimentos em coligada e crédito em capital social.
Errada: dividendo não tem relação com aumento de capital social; isso confundiria distribuição de lucros com integralização de capital.
- D)débito em bancos e crédito em receita de dividendos.
Errada: embora bancos aumente, a contrapartida não é receita de dividendos quando há influência significativa e uso da equivalência patrimonial.
Gabarito: A
Quando a empresa Alfa tem influência significativa sobre a Beta, o investimento é tratado pelo método da equivalência patrimonial. Nesse regime, os resultados da investida afetam o valor do investimento na investidora, e os dividendos recebidos não são reconhecidos como receita, porque representam apenas a distribuição de lucros que já integravam o patrimônio da investidora de forma indireta. Na prática, ao receber os dividendos, a Alfa registra a entrada do dinheiro no caixa ou bancos e reduz o saldo do investimento em coligada. É o famoso movimento: entra dinheiro, sai valor do investimento. Simples assim, sem mistério de novela contábil. Isso está alinhado ao CPC 18 (Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto), que determina que, no método da equivalência patrimonial, os dividendos recebidos devem ser contabilizados como redução do valor contábil do investimento, e não como receita do período. Por isso, a alternativa correta é a que traz débito em bancos e crédito em investimentos em coligada. A pegadinha clássica aqui é confundir dividendo com receita. Em empresa coligada ou controlada avaliada pela equivalência patrimonial, o dividendo não inflaciona o resultado: ele apenas transforma parte do investimento em dinheiro.