No encerramento do último exercício de uma sociedade que comercializa celulares e outros equipamentos de informática e comunicação, o seu estoque continha 300 unidades de determinado tipo de celular, registrados pelo valor contábil de R$ 750.000. O preço de comercialização desses celulares pela sociedade era, até esse momento, de R$ 3.300 cada. Depois de verificada queda significativa das vendas desse modelo, a sociedade fez uma pesquisa junto a outros revendedores e constatou que seria impossível vender esse produto por mais do que R$ 2.000, por isso reduziu seu preço de venda para esse valor. O custo de comercialização de cada unidade desse celular é de R$ 100. Ao mesmo tempo, o fornecedor dos celulares informou que seu preço atual para venda no atacado é de R$ 1.200. Nessa situação hipotética, a empresa deve
- A)utilizar como custo unitário o atual preço de venda do fornecedor.
Errada, porque o preço de venda do fornecedor não é o critério para substituir o custo já registrado no estoque.
- B)utilizar como custo o atual preço de venda do fornecedor mais R$ 100 de custos de comercialização.
Errada, porque o preço do fornecedor mais custo de comercialização não é a base de mensuração do estoque já existente.
- C)manter o atual custo histórico e apurar prejuízo nas vendas, se for o caso.
Errada, porque não se mantém o custo histórico quando o valor realizável líquido ficou inferior ao custo.
- D)reconhecer uma perda de valor realizável de R$ 600 por celular.
Certa, pois o estoque deve ser ajustado para o valor realizável líquido de R$ 1.900, gerando perda de R$ 600 por unidade.
- E)reconhecer uma perda de valor realizável de R$ 1.400 por celular.
Errada, porque a perda não é a diferença entre o custo e o preço de venda do fornecedor, e sim entre o custo e o valor realizável líquido.
Gabarito: D
Em estoques, a regra é simples e cruel: você não pode manter o bem por valor maior do que aquilo que ele realmente vai render na venda. Pela CPC 16 (Estoques), alinhada ao art. 183, II, da Lei 6.404/1976, o estoque deve ser mensurado pelo menor entre o custo e o valor realizável líquido. Se o mercado caiu, o que manda é o valor que ainda sobra depois de descontar os gastos para vender. Aqui, o custo unitário contábil era de R$ 750.000 ÷ 300 = R$ 2.500 por celular. Só que a empresa concluiu que o celular só conseguiria ser vendido por R$ 2.000. E ainda há custo de comercialização de R$ 100 por unidade. Então o valor realizável líquido fica em R$ 1.900 por unidade (2.000 - 100). Comparando: custo de R$ 2.500 contra valor realizável líquido de R$ 1.900. Como o realizável é menor, a empresa deve reconhecer perda de R$ 600 por celular. É exatamente a diferença entre o valor contábil e o valor que de fato deve entrar no caixa, sem fantasia contábil. Por isso o gabarito é a letra D: reconhecer uma perda de valor realizável de R$ 600 por celular.