Leia o texto a seguir: “Em lugar do Sol e do deserto de 3 bilhões de anos atrás, surgiu a cidade que é hoje invadida pelo cheiro das laranjas, assim como já foi pelo perfume do café das torrefações. Foi célebre pela sua faculdade de farmácia e odontologia, mas agora é polo universitário. Os oitis marcam a paisagem onde nasceu Macunaíma, o mais divertido e lendário personagem da literatura brasileira. Se aqui nasceu Ruth Cardoso, também é terra de Sydney Sanches, que chegou à presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Berço de Rosa Branca, campeão olímpico de basquete, do teatro de Zé Celso, das gravuras de Lívio Abramo, da pintura de Judith Lauand, das performances de Liniker, e do fazedor de chuvas Frederico de Marco. Do futebol de Bazzani e da Ferroviária, dos gols do Careca da Seleção Brasileira, de Maria Dilna e Riva Nimitz. Mais do que tudo, terra do Sol, dos dias quentes, das sombras da Rua 5 e das coxinhas de Bueno.” Pelas características de redação, é correto afirmar que o texto de Ignácio de Loyola Brandão é
- A)uma feature.
Feature é texto jornalístico mais amplo e aprofundado, geralmente ligado a uma reportagem especial, e não se encaixa nesse tom lírico e memorialístico.
- B)um faitdivers.
Fait divers é notícia curta de acontecimento curioso ou inusitado, o que não corresponde a esse texto reflexivo e literário.
- C)um conto.
Conto é narrativa ficcional com enredo, personagens e conflito, e aqui não há uma história inventada desenvolvida.
- D)uma resenha.
Resenha é texto crítico sobre obra, filme, livro ou espetáculo, mas o trecho não analisa nenhuma produção artística.
- E)uma crônica.
Crônica é o gênero adequado porque o texto mistura observação do cotidiano, memória, subjetividade e linguagem literária para retratar a cidade.
Gabarito: E
O texto apresentado tem cara de crônica porque nasce da observação do cotidiano e transforma um lugar real em matéria literária, com olhar subjetivo, memória afetiva e seleção de imagens que valorizam a atmosfera da cidade. A crônica, em jornalismo, costuma circular entre a notícia e a literatura: não quer só informar, mas comentar, registrar e emocionar a partir de um recorte do dia a dia. Por isso, o texto de Ignácio de Loyola Brandão não funciona como relato factual seco, nem como reportagem informativa, e sim como uma pintura verbal da cidade, cheia de referências culturais e lembranças. Em provas, a pista costuma ser essa: linguagem leve, pessoal, descritiva e com sabor de cotidiano. Em manuais de jornalismo e literatura, a crônica é justamente esse texto breve, híbrido, ligado ao presente e à experiência observada.