Desde o início de sua história, o rádio foi fundamental para construção da identidade nacional e para disseminação de informações. Considerando o contexto histórico, político e cultural do país, é correto afirmar que o rádio durante o Estado Novo,
- A)foi utilizado primordialmente como ferramenta de entretenimento, com pouca ou nenhuma influência na política e na cultura da época.
Errada, porque no Estado Novo o rádio teve forte influência política e cultural, não sendo apenas entretenimento.
- B)foi instrumento de propaganda governamental, para consolidar o poder de Getúlio Vargas, além de ser um importante meio de difusão cultural e de entretenimento.
Certa, pois o rádio foi usado como propaganda do governo Vargas e também como meio de difusão cultural e entretenimento.
- C)manteve-se independente do governo, atuando como um espaço de livre expressão e crítica aos planos desenvolvimentistas de Juscelino Kubitschek.
Errada, porque o rádio não se manteve independente do governo no Estado Novo e não tinha relação com críticas a Juscelino Kubitschek, que é de outro período.
- D)devido à censura e à falta de investimentos em tecnologia, optou pela segmentação de públicos investindo em emissões de frequência modulada.
Errada, porque a migração para a FM e a segmentação de públicos são fenômenos muito posteriores, não característicos do Estado Novo.
- E)ainda era um meio de comunicação elitista, com emissoras organizadas sob forma de sociedades de ouvintes e programação voltada para as classes mais altas da população.
Errada, porque no Estado Novo o rádio já havia se popularizado e deixado de ser um meio voltado apenas às elites.
Gabarito: B
O rádio, no Brasil, nunca foi só música e locutor carismático. Durante o Estado Novo (1937-1945), ele virou um instrumento central de integração nacional, propaganda e controle político. Getúlio Vargas entendeu rápido que quem domina o microfone fala direto com milhões de pessoas ao mesmo tempo, sem precisar pedir licença para a praça pública. Nesse período, o governo usou o rádio para fortalecer a imagem do regime, divulgar ideias oficiais e construir uma sensação de unidade nacional. A Hora do Brasil, criada em 1935 e depois fortalecida no período varguista, é um exemplo clássico de uso estatal do meio para comunicação direta com a população. O rádio servia, portanto, tanto à política quanto à cultura, com programas musicais, radionovelas e conteúdos de entretenimento que ampliavam seu alcance. É por isso que a letra B está correta: ela resume bem esse duplo papel do rádio no Estado Novo, como ferramenta de propaganda governamental e também como meio de difusão cultural e lazer. O rádio ajudou a consolidar o poder de Vargas justamente porque chegava onde a imprensa escrita não chegava com a mesma força, especialmente em um país ainda marcado por desigualdades de acesso à informação. Se a prova fala de Estado Novo, desconfie de respostas que tratem o rádio como algo neutro, elitista ou totalmente livre. Nesse momento histórico, ele era menos um palco de discussão aberta e mais um alto-falante do projeto político de Vargas, com bastante música no intervalo para a mensagem descer melhor.