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Comunicação Social · FGV · 2025

Questão comentada de Comunicação Social

“Se o espetáculo, tomado sob o aspecto restrito dos ‘meios de comunicação de massa’, que são sua manifestação mais esmagadora, dá a impressão de invadir a sociedade como simples instrumentação, tal instrumentação nada tem de neutra: ela convém ao automovimento total da sociedade. Se as necessidades sociais da época na qual se desenvolvem essas técnicas só podem encontrar satisfação com sua mediação, se a administração dessa sociedade e qualquer contato entre os homens só se podem exercer por intermédio dessa força de comunicação instantânea, é porque essa ‘comunicação’ é essencialmente unilateral; sua concentração equivale a acumular nas mãos da administração do sistema os meios que lhe permitem prosseguir nessa precisa administração.” (DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997, p. 17) A obra intitulada A sociedade do espetáculo, do escritor francês Guy Debord, aborda conceitos como ideologia, alienação, mediação sociocultural, dentre outros. Ao aceitarmos a premissa de que a espetacularização é uma estratégia de poder, o papel de agente cabe aos meios de comunicação de massa. De acordo com o exposto acima, o espetáculo na sociedade tem como desígnio:

Gabarito: B

Guy Debord, em A sociedade do espetáculo, critica uma sociedade em que a vida social passa a ser mediada por imagens, mensagens e aparências produzidas pelos meios de comunicação de massa. O “espetáculo” não é só entretenimento: ele funciona como forma de organização social e como instrumento de poder, porque concentra a capacidade de narrar a realidade em poucas mãos. Assim, em vez de aproximar as pessoas, ele tende a produzir passividade, separação e dependência da mediação midiática. Na lógica debordiana, a comunicação não é neutra. Quando a mídia concentra os meios de difusão, ela ajuda a sustentar um sistema em que as pessoas consomem representações do mundo, mas não controlam essas representações. É aí que entra a ideia de alienação: o sujeito não vive diretamente a experiência, ele a recebe “pronta”, como imagem espetacular. Por isso, o gabarito é a letra B. Debord aponta que o espetáculo reforça a abstração e a fragmentação da experiência social, favorecendo um sistema econômico e político em que as multidões permanecem isoladas, mesmo estando aparentemente conectadas. Em linguagem bem direta: muita imagem, pouca participação real. As demais alternativas fogem da crítica central do autor. Ele não está defendendo bilateralidade, autonomia do consumidor cultural, nem uma ruptura do espetáculo em relação ao Estado; ao contrário, mostra como essa lógica ajuda a manter a dominação social existente.

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