Leia o trecho a seguir: “Nenhuma empresa, por mais sólida, admirada e moderna que seja, está imune à crise. Esse princípio básico da gestão de crise, mesmo repetido, ainda continua esquecido por muitas organizações” (FORNI, 2018) Nesse contexto, avalie as seguintes afirmativas I. A crise é notícia, porque preenche os requisitos básicos do conceito de notícia: é um fato grave, inusitado, que afeta a vida das pessoas ou o interesse da sociedade. II. A organização não deve entrar em conflito com os veículos de mídia porque estes noticiaram a crise, mas sim ter uma estratégia, mensagens-chave e bons porta-vozes para explicála. III. A mídia motiva a ocorrência de eventos negativos na organização, que não tem qualquer responsabilidade sobre como os efeitos dessa crise serão comunicados à opinião pública. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa pressupõe que apenas a afirmativa I está correta. De fato, I está alinhada aos critérios de noticiabilidade, porque a crise costuma envolver fato grave, inusitado e de interesse público. O problema é que a afirmativa II também está correta, pois a gestão de crise recomenda estratégia, mensagens-chave e porta-vozes preparados, então a resposta fica incompleta.
- B)II, apenas.
Aqui se afirma que somente a II descreve corretamente a situação. A II realmente exprime a conduta adequada de comunicação em crise, evitando confronto inútil com a imprensa e organizando o discurso institucional. Mas a I também é verdadeira, porque a crise é, em regra, um fato noticiável por sua gravidade e impacto social; por isso a alternativa restringe demais.
- C)III, apenas.
Esta opção sustenta que apenas a III estaria correta. Ocorre que a III inverte a lógica da comunicação de crise: a mídia não é a causa dos eventos negativos da organização e a empresa continua responsável por administrar a informação e seus efeitos perante o público. Como I e II são verdadeiras e III é falsa, a alternativa não se sustenta.
- D)I e II, apenas.
A alternativa reúne I e II, que são as afirmativas corretas. A I está de acordo com os critérios de notícia, pois a crise normalmente envolve gravidade, excepcionalidade e interesse coletivo; a II também acerta ao indicar que a organização deve ter estratégia, mensagens-chave e porta-vozes para explicar a situação à imprensa, em vez de confrontá-la. A III é falsa porque transfere indevidamente à mídia a responsabilidade pelo evento e pela comunicação da crise.
- E)I, II e III.
Aqui se afirma que I, II e III estariam corretas. Embora I e II estejam de acordo com a teoria de crise e de assessoria de comunicação, a III está errada ao atribuir à mídia a motivação dos eventos negativos e ao afastar a responsabilidade da organização sobre a comunicação pública. Como um dos três enunciados não procede, não é possível marcar essa opção.
Gabarito: D
Em gestão de crise, a lógica é simples: quando algo grave, incomum e de impacto coletivo acontece, isso vira notícia quase na hora. Por isso a afirmativa I está correta. Crise chama atenção porque envolve risco, interesse público e ruptura da rotina - exatamente o tipo de fato que costuma ganhar espaço na imprensa. A segunda afirmativa também está correta, porque a organização não deve tratar a imprensa como inimiga. O mais inteligente é responder com estratégia, mensagens-chave consistentes e porta-vozes preparados. Isso é um princípio clássico de assessoria de comunicação em crise: falar com clareza, rapidez e coerência, em vez de entrar em confronto com a cobertura jornalística. Já a III erra feio ao sugerir que a mídia é quem provoca a crise e que a organização não tem responsabilidade sobre a comunicação dos fatos. A mídia pode amplificar, repercutir ou pressionar, mas não cria sozinha o evento negativo. E a empresa continua responsável por gerenciar informações, proteger reputação e prestar contas à opinião pública. Por isso o gabarito é a letra D: apenas I e II estão corretas. A questão cobra exatamente essa ideia central da assessoria de crise: reconhecer a notícia, comunicar bem e não culpar a imprensa pelo problema.