Para o professor Felipe Pena (2005), “uma singularidade muito forte do lide é o tratamento estilístico que recebe: os dados são apresentados numa articulação tal que ao leitor resta ir até o fim, sem qualquer convite à pausa”. Sendo assim, o lide classicamente exerce uma série de funções no relato jornalístico, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Apresentar detalhes acessórios e que reflitam a opinião do repórter em relação ao acontecimento.
Errada, porque o lide não deve privilegiar detalhes acessórios nem opinião do repórter, mas sim a informação essencial e objetiva.
- B)Informar o que se sabe de mais recente sobre um acontecimento.
Certa, porque o lide pode apresentar o dado mais recente e relevante sobre o acontecimento.
- C)Provocar no leitor o desejo de ler o restante da matéria.
Certa, porque uma função do lide é despertar o interesse do leitor para continuar a leitura.
- D)Apresentar lugares e pessoas de importância para entendimento dos fatos.
Certa, porque o lide pode situar pessoas e lugares importantes para a compreensão dos fatos.
- E)Articular de forma racional os elementos mais relevantes que constituem o acontecimento.
Certa, porque o lide organiza de modo racional os elementos centrais do acontecimento.
Gabarito: A
O lide é a porta de entrada da notícia. No jornalismo, ele serve para condensar o essencial do fato logo no primeiro contato com o leitor, com clareza, objetividade e ritmo. A ideia é simples: responder ao que importa, situar o acontecimento e dar vontade de seguir na leitura. Não é texto para enfeitar demais, nem para transformar a notícia em opinião disfarçada de informação. Por isso, o lide clássico cumpre funções como apresentar o fato mais recente, destacar os elementos centrais, organizar racionalmente as informações e, de quebra, prender a atenção do leitor. Em outras palavras, ele entrega o núcleo da história sem rodeios. É o famoso "vai direto ao ponto", mas com técnica jornalística. A alternativa A é a exceção porque fala em inserir detalhes acessórios e, pior, em refletir a opinião do repórter. Isso foge totalmente da lógica do lide jornalístico tradicional, que deve privilegiar informação essencial e impessoalidade. Opinião do repórter pode aparecer em gêneros opinativos, mas não no lide informativo clássico. Doutrinariamente, autores como Felipe Pena tratam o lide como uma estrutura de abertura que organiza os dados mais relevantes do acontecimento e conduz o leitor. Em termos práticos, o lide não é espaço para subjetividade gratuita: ele é a vitrine da notícia, não a vitrine do humor do repórter.