Ao definir o campo da comunicação pública, Jorge Duarte propõe quatro eixos centrais, que indicam pré-requisitos para a ação dos agentes e instituições que lidam com a comunicação de interesse público, a saber: transparência, acesso, interação e ouvidoria social. Sobre o último, é correto afirmar que:
- A)envolve o interesse em conhecer e compreender a opinião pública e os diversos segmentos que a compõem para o atendimento às expectativas da sociedade;
Correta, porque a ouvidoria social envolve conhecer a opinião pública e os diferentes segmentos sociais para responder melhor às expectativas da sociedade.
- B)pressupõe a oferta de informações de interesse do cidadão para que ele possa, de modo autônomo, fiscalizar a prestação de contas dos órgãos governamentais;
Errada, porque descreve o eixo da transparência e do acesso à informação, ligado à prestação de contas e fiscalização pelo cidadão.
- C)é facultativo para os órgãos públicos federais, sendo obrigatório constar como serviço apenas nos sites de órgãos públicos estaduais e municipais;
Errada, pois não existe essa distinção de obrigatoriedade por esfera federativa nesse conceito; isso não define ouvidoria social.
- D)envolve a criação, manutenção e fortalecimento de instrumentos que viabilizem os fluxos de comunicação descendente entre o Estado e os cidadãos;
Errada, porque fala de comunicação descendente do Estado para os cidadãos, o que se aproxima mais de divulgação institucional do que de escuta social.
- E)investe no aparato tecnológico e na diversidade de fontes de informação oficial para dar publicidade a conteúdos educativos, nos quais predomina a versão dos órgãos públicos sobre as necessidades do cidadão.
Errada, pois mistura aparato tecnológico, publicidade de conteúdos e predomínio da versão oficial, elementos que não caracterizam ouvidoria social.
Gabarito: A
Jorge Duarte trabalha a comunicação pública como uma comunicação voltada ao interesse coletivo, e não apenas como propaganda institucional. Dentro dessa lógica, ele aponta quatro eixos centrais: transparência, acesso, interação e ouvidoria social. Cada um é um jeito de aproximar o Estado da sociedade e reduzir a distância entre quem decide e quem é afetado pelas decisões. A ouvidoria social é o eixo mais ligado à escuta ativa. Aqui, a ideia não é só falar com o público, mas conhecer o que ele pensa, sentir suas demandas, captar críticas e interpretar os diferentes segmentos da sociedade. É uma comunicação que olha para fora e pergunta: o que a população espera, teme, aprova ou rejeita? Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve justamente o interesse em conhecer e compreender a opinião pública e os diversos grupos que a compõem para atender melhor às expectativas sociais. Em termos práticos, é a dimensão de escuta, pesquisa e retorno, muito associada ao papel de ouvir para ajustar políticas, serviços e mensagens. As demais alternativas confundem os eixos. Algumas falam de transparência e acesso a informações, outras tratam de fluxo descendente de comunicação ou de publicidade institucional. Nada disso é ouvidoria social. Então, se você associou ouvidoria apenas a um canal de reclamação, falta o detalhe importante: ela é uma escuta estruturada da sociedade, com foco em compreensão e resposta.