Quanto mais negativa e persistente for a cobertura de campanhas eleitorais e políticos enfatizando a insinceridade, corrupção, truques sujos, ambição pessoal e ignorando a substância e a intenção honesta, menor a confiança e o desejo do público em participar no processo democrático Esse processo hipotético, apresentado com um desdobramento da Hipótese da Espiral do Silêncio, é conhecido como
- A)Espiral de Fibonacci.
Errada, porque Espiral de Fibonacci não é uma teoria clássica da comunicação política nem descreve queda de confiança causada por cobertura negativa.
- B)Teoria do Enquadramento.
Errada, porque a Teoria do Enquadramento trata da forma como a mídia organiza e destaca aspectos de um tema, mas não desse efeito de cinismo político.
- C)Espiral do Cinismo.
Certa, pois descreve exatamente a perda progressiva de confiança e interesse do público diante de cobertura eleitoral negativamente enviesada.
- D)Espiral de Capella.
Errada, porque não existe, no campo consagrado da comunicação política, uma teoria conhecida com esse nome para esse fenômeno.
- E)Teoria do Newsmaking.
Errada, porque Newsmaking é a teoria que estuda como as rotinas de produção jornalística influenciam o conteúdo das notícias, e não o desânimo político do público.
Gabarito: C
A questão fala de um efeito comunicacional bem conhecido na literatura sobre mídia e política: quando a cobertura é repetidamente negativa, o público passa a enxergar campanhas e políticos como algo sujo, falso e sem saída. Resultado? Cai a confiança, cai o interesse e muita gente desanima de participar do jogo democrático. É aquele clima de “todo mundo faz malandragem”, que vai corroendo a disposição de votar, discutir política e acreditar na representação. Esse fenômeno é chamado de Espiral do Cinismo. A ideia é que a exposição contínua a mensagens que destacam insinceridade, corrupção, truques e ambição pessoal, sem mostrar propostas e intenções legítimas, aumenta o ceticismo do público. Esse ceticismo não fica parado: ele cresce, se retroalimenta e afasta o cidadão da política, formando uma espiral descendente de confiança. A base teórica vem do desdobramento da Hipótese da Espiral do Silêncio, aplicada ao contexto da cobertura jornalística sobre campanhas eleitorais. Em vez de as pessoas silenciarem por medo de isolamento, aqui elas se tornam cínicas diante da forma como a política é apresentada, o que reduz engajamento e participação. Por isso o gabarito é C. As outras alternativas misturam teorias reais da comunicação, mas não descrevem esse efeito específico de cobertura negativa que destrói a confiança política. Em prova da FGV, fique atento: ela gosta de nomes parecidos para ver se você reconhece o conceito pelo efeito descrito.