Avalie a situação a seguir: O diretor de comunicação de uma grande organização pública recebeu o resultado de uma pesquisa por ele encomendada. Os pontos principais eram os seguintes: muitos cidadãos afirmavam não ter informações suficientes sobre a organização e, além disso, demandavam mais transparência e participação nas decisões da organização. Nesse caso, por se tratar de uma organização pública que deseja atender as demandas dos cidadãos, o caminho correto seria
- A)apostar na comunicação unidirecional, usando apenas comunicados de imprensa periódicos com as informações mais relevantes sobre a organização.
Errada, porque comunicação pública não se limita a comunicados periódicos e unidirecionais, já que isso não atende à demanda por participação.
- B)contratar uma agência de relações públicas para gerenciar a imagem da organização nas redes sociais, garantindo que todos os comentários desfavoráveis fossem apagados.
Errada, porque apagar comentários desfavoráveis é postura antidemocrática e contraria transparência, além de tentar controlar a reputação em vez de dialogar com o cidadão.
- C)implementar uma comunicação bidirecional, que além de fornecer informações claras e acessíveis sobre a organização, criasse canais que incentivassem a participação dos cidadãos.
Certa, porque une transparência com abertura de canais de participação, exatamente o que uma organização pública deve fazer diante da demanda social apresentada.
- D)fornecer apenas as informações positivas sobre a organização, para evitar reclamações, desinformação e impedir qualquer crítica pública.
Errada, porque esconder aspectos negativos e divulgar só o que é positivo fere a transparência e transforma comunicação em propaganda defensiva.
- E)ignorar a demanda por participação, e focar-se apenas em fornecer a transparência e o mínimo de informação, apenas para cumprir as exigências legais.
Errada, porque cumprir o mínimo legal não basta quando a própria sociedade pede mais escuta, participação e diálogo ativo com a organização.
Gabarito: C
Em comunicação pública, a lógica não é só "informar o povo" e pronto. A organização pública precisa prestar contas, dar transparência e, principalmente, abrir espaço para diálogo com a sociedade. Isso combina com a ideia de comunicação de mão dupla, em que o cidadão deixa de ser mero receptor e passa a participar do processo comunicacional. Quando a pesquisa mostra falta de informação e pedido de mais transparência e participação, fica claro que a resposta não pode ser uma comunicação fechada, vertical e controlada. Comunicação pública, nesse contexto, exige canais acessíveis, linguagem clara, escuta ativa e mecanismos de participação social, como ouvidorias, consultas públicas, fóruns e canais digitais de interação. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela acerta ao juntar dois elementos essenciais: fornecer informação clara e acessível e criar canais que incentivem a participação dos cidadãos. É exatamente o que se espera de uma organização pública que quer responder às demandas sociais de forma democrática e eficiente. Em termos doutrinários, isso dialoga com os princípios da publicidade, transparência, accountability e participação social, muito presentes na Administração Pública contemporânea. A lógica aqui não é "parecer bem", mas construir relação com legitimidade e controle social.