Sobre as diferenças conceituais entre notícia e reportagem no jornalismo, avalie as afirmativas a seguir. I. A intensidade, profundidade e autonomia do jornalista no processo de construção da matéria são maiores na reportagem do que na notícia. II. O imediatismo é mais importante na reportagem do que na notícia, visto que a segunda pressupõe mais tempo para a coleta e interpretação dos dados. III. Notícias podem motivar reportagens, mas nem toda reportagem tem como gancho uma notícia. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I estaria correta. De fato, a I corresponde à distinção clássica entre os gêneros: a reportagem admite mais profundidade, apuração e autonomia de construção, enquanto a notícia costuma ser mais sintética e presa ao fato imediato. O erro da opção é ignorar que a III também está correta, porque uma reportagem pode nascer de notícia já publicada, mas não depende necessariamente dela como ponto de partida.
- B)II, apenas.
A alternativa afirma que somente a afirmativa II estaria correta. Isso contraria o conceito jornalístico, porque o imediatismo é mais associado à notícia, e não à reportagem, que normalmente exige mais tempo de coleta, contextualização e interpretação. Assim, a II inverte as características dos dois gêneros e se apoia em um fundamento conceitual equivocado.
- C)III, apenas.
A alternativa diz que apenas a afirmativa III estaria correta. A III realmente faz sentido, pois notícias podem desdobrar-se em reportagens e a reportagem também pode surgir de pautas temáticas, investigativas ou de continuidade, sem depender de um fato-notícia prévio. Ainda assim, a I também está correta ao apontar que a reportagem permite maior profundidade e autonomia ao jornalista, então a alternativa deixa de fora uma afirmativa verdadeira.
- D)I e III, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e III, que são as corretas. A I está certa porque a reportagem tende a ter maior profundidade, intensidade e liberdade de abordagem do que a notícia, gênero mais breve e centrado no acontecimento imediato. A III também procede, já que uma notícia pode motivar uma reportagem, mas a reportagem não precisa necessariamente ter uma notícia anterior como gancho.
- E)I, II e III.
A alternativa inclui I, II e III como verdadeiras. Embora a I e a III estejam de acordo com a distinção entre notícia e reportagem, a II erra ao afirmar que o imediatismo é mais importante na reportagem do que na notícia: na verdade, a notícia é o gênero mais urgente, enquanto a reportagem privilegia apuração mais extensa e contextualização. Por isso, o conjunto inteiro não pode ser considerado correto.
Gabarito: D
No jornalismo, notícia e reportagem não são sinônimos. A notícia costuma responder rápido ao fato: o que aconteceu, quem, quando, onde, como e por quê, com foco na atualidade e na objetividade. Já a reportagem abre mais espaço para apuração, contexto, análise e narrativa, permitindo maior profundidade e mais autonomia do jornalista na construção do texto. Por isso, a afirmativa I está correta: na reportagem, a intensidade da apuração, a profundidade do tratamento e a autonomia do repórter tendem a ser maiores do que na notícia. A reportagem vai além do fato bruto e busca explicar melhor o acontecimento, suas causas, efeitos e desdobramentos. A afirmativa II está errada porque inverte a lógica básica dos gêneros. O imediatismo é mais característico da notícia, que nasce da urgência do fato novo. A reportagem, ao contrário, geralmente admite mais tempo para coleta, checagem e interpretação dos dados. A afirmativa III também está correta. Uma notícia pode servir de gancho para uma reportagem, mas a reportagem não depende necessariamente de uma notícia prévia: ela pode surgir de uma pauta própria, de uma investigação, de um tema recorrente ou de um interesse público mais amplo. Em linguagem de prova, a FGV costuma cobrar justamente essa distinção funcional entre informar rapidamente e aprofundar com contexto.