Em 5 de novembro de 2021, o avião no qual estava a cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas sofreu um acidente. Sua assessoria de imprensa chegou a informar que a cantora estava bem, mas logo depois os bombeiros comunicaram a morte de todos que estavam a bordo. A Globonews fez uma cobertura ao vivo do caso, pela qual foi muito criticada, pois mostrou nitidamente o momento em que Marília foi retirada sem vida do avião. Logo depois, os jornalistas entraram no avião para mostrar os pertences da cantora que lá permaneceram. Entre os preceitos do Código de Ética do Jornalista Brasileiro que podem embasar essas críticas está o fato de que o jornalista
- A)está autorizado a invadir a intimidade e a privacidade do cidadão desde que ele seja uma figura pública.
Errada, porque a figura pública não perde seus direitos à intimidade e à privacidade, e o jornalismo ético não autoriza invasão nesses direitos.
- B)não deve divulgar imagens de caráter mórbido ou sensacionalista em cobertura de crimes e acidentes.
Certa, pois o Código de Ética veda a divulgação de imagens mórbidas ou sensacionalistas em coberturas de crimes e acidentes.
- C)deve respeitar o sigilo da fonte e não expor pessoas ameaçadas de morte.
Errada, porque a alternativa trata de sigilo da fonte e proteção de pessoas ameaçadas, temas diferentes do problema ético apresentado no caso.
- D)não pode divulgar imagens obtidas com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos.
Errada, pois o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos não é o ponto central da situação narrada.
- E)deve informar claramente quando suas matérias tiverem caráter publicitário, pois a artista era da Som Livre.
Errada, porque a questão não envolve publicidade disfarçada de reportagem, mas sim a exposição inadequada de uma tragédia.
Gabarito: B
A questão explora um ponto clássico da ética jornalística: nem tudo que é possível mostrar deve ser mostrado. No jornalismo, o interesse público não autoriza transformar dor alheia em espetáculo, especialmente em situações de morte, acidente grave e sofrimento imediato. O Código de Ética do Jornalista Brasileiro exige respeito à dignidade humana, à intimidade, à vida privada e à imagem das pessoas, evitando exposição desnecessária e sensacionalismo. No caso narrado, a cobertura foi criticada porque exibiu o corpo da cantora sendo retirado do avião e ainda entrou na aeronave para mostrar pertences pessoais. Isso ultrapassa a finalidade informativa e avança para uma exploração morbosa do fato, algo incompatível com a ética profissional. Em outras palavras: informar o ocorrido, sim; explorar visualmente a tragédia, não. Por isso, o gabarito é a letra B. O Código de Ética do Jornalista Brasileiro prevê que o jornalista não deve divulgar imagens de caráter mórbido ou sensacionalista em cobertura de crimes e acidentes, justamente para evitar a banalização do sofrimento e a violação da dignidade das vítimas e de seus familiares. É um ponto que a FGV adora cobrar com casos concretos, porque ela mistura notícia, emoção e limite ético para ver se você separa jornalismo de espetáculo.