O professor Everardo Rocha, ao estudar o consumo nas mais diversas instâncias, procura classificá-lo em quatro perspectivas: 1. hedonista 2. moralista 3. naturalista 4. utilitária De acordo com cada uma delas, o conceito pode ser assim entendido ( ) Característico do espírito humano, o consumo, de acordo com essa perspectiva, é visto como biologicamente necessário e universalmente experimentado. ( ) Com grande carga apocalíptica, essa perspectiva considera o consumo o responsável pelas mazelas sociais e que, portanto, deve ser alvo de severas críticas. ( ) Predominante no marketing, as pesquisas, sob essa perspectiva de consumo, buscam identificar os comportamentos dos consumidores para melhor atendê-los e vender mais. ( ) Característica do discurso publicitário e considerada a mais famosa ideologia aplicada ao consumo, essa perspectiva baseia-se na ideia de que o ato de consumir traz felicidade. As características citadas correspondem, respectivamente, às perspectivas
- A)4; 2; 1; 3.
Errada, porque troca as perspectivas e embaralha naturalista, moralista, utilitária e hedonista.
- B)3; 4; 2; 1.
Errada, porque a ordem proposta não corresponde às definições dadas no enunciado.
- C)3; 2; 4; 1.
Certa, pois a sequência 3, 2, 4, 1 bate exatamente com naturalista, moralista, utilitária e hedonista.
- D)1; 3; 4; 2.
Errada, porque desloca as perspectivas e inverte os conceitos centrais de cada uma.
- E)1; 2; 4; 3.
Errada, porque a ordem apresentada não coincide com a classificação doutrinária de Everardo Rocha.
Gabarito: C
Everardo Rocha ajuda a mostrar que “consumo” não é uma coisa só: ele pode ser visto por lentes diferentes, e cada lente muda totalmente a leitura do mercado e da publicidade. Na perspectiva naturalista, o consumo é entendido como algo próprio da condição humana, quase uma necessidade biológica e universal. Já a moralista enxerga o consumo com desconfiança, como fonte de exageros e problemas sociais, numa pegada mais crítica e até apocalíptica. A perspectiva utilitária é a queridinha do marketing clássico: aqui, o foco está em entender o comportamento do consumidor para atendê-lo melhor, ajustar oferta, preço, praça e promoção, e claro, vender mais. É a visão mais prática, orientada a resultados e satisfação de necessidades. Por fim, a perspectiva hedonista é a mais famosa no discurso publicitário, porque associa consumir à felicidade, prazer, desejo e realização pessoal. É por isso que o enunciado acerta a sequência da seguinte forma: o trecho do consumo como algo biológico e universal é naturalista (3); o texto crítico, que culpa o consumo por mazelas sociais, é moralista (2); o trecho voltado a pesquisar consumidores para atendê-los e vender mais é utilitária (4); e a ideia de que consumir traz felicidade é hedonista (1). Em outras palavras, a ordem correta é 3; 2; 4; 1, que corresponde à alternativa C. Esse conteúdo aparece muito em provas de Comunicação e Marketing porque exige que você reconheça o sentido social do consumo, e não só a definição de manual. A FGV gosta justamente dessa troca de lentes: se você confundir “prazer” com “utilidade” ou “crítica social” com “necessidade natural”, escorrega fácil.