Um órgão público da área de Justiça tomou uma medida impopular, que afeta diretamente o cidadão. Sobre a publicização das informações, a respeito dessa medida, o assessor de comunicação deve agir:
- A)divulgando a medida de maneira formal, sem entrar em detalhes e tentando minimizar a repercussão da notícia em redes sociais;
Errada, porque omitir detalhes e tentar apenas minimizar a repercussão enfraquece a transparência e não atende ao dever de esclarecimento ao cidadão.
- B)suspendendo o anúncio da medida, utilizando o diário oficial e outros veículos formais para que a medida seja de conhecimento público;
Errada, porque suspender o anúncio e depender só de meios formais contraria a necessidade de comunicação clara, ativa e tempestiva em assunto de interesse público.
- C)negociando com jornalistas para que a notícia seja veiculada pela imprensa tradicional e digital de forma positiva, sem gerar polêmicas;
Errada, porque o assessor não deve negociar a cobertura para torná-la positiva, já que isso compromete a ética e a independência da imprensa.
- D)explicando detalhadamente os motivos que levaram à tomada de decisão e as ações tomadas para minimizar seus impactos;
Certa, porque a comunicação deve explicar a decisão, seus fundamentos e as medidas adotadas para reduzir os impactos sobre o cidadão.
- E)alertando a imprensa sobre a impopularidade da medida, destacando que ela é necessária para o órgão público em si.
Errada, porque alertar apenas para a impopularidade e defender a necessidade interna do órgão não substitui a prestação de contas completa à sociedade.
Gabarito: D
Em comunicação pública, especialmente quando a decisão afeta diretamente o cidadão, não basta “avisar que saiu”. O assessor de comunicação precisa atuar com transparência, clareza e utilidade pública. Em órgãos de Justiça, isso ganha ainda mais peso, porque a informação não é só notícia: ela ajuda a população a entender uma medida que pode gerar impacto imediato na vida real. Quando a medida é impopular, a tentação é tentar suavizar, esconder ou empurrar a divulgação para um canto burocrático. Só que isso costuma piorar tudo. A boa prática de Relações Públicas no setor público é explicar o que foi decidido, por que a decisão foi tomada e quais providências foram adotadas para reduzir efeitos negativos. Isso dialoga com o princípio da publicidade da Administração Pública, previsto no art. 37 da Constituição, e com a lógica da comunicação pública orientada ao interesse coletivo. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela acerta o ponto central: não se trata de “vender” a medida, mas de prestar contas e dar contexto. Ao detalhar os motivos da decisão e as ações de mitigação, a assessoria respeita o cidadão, reduz ruído e fortalece a credibilidade institucional. Em comunicação pública, silêncio, meia explicação e maquiagem costumam sair mais caros do que a verdade bem explicada. Em provas da FGV, fique atento: quando o enunciado fala em medida impopular e impacto social, a banca costuma valorizar transparência, explicação clara e postura institucional responsável, e não estratégias de ocultação, propaganda ou controle artificial da repercussão.