Leia o trecho abaixo, que integra o artigo “Jornalismo, mídia e tecnologia: tendências e previsões para 2023”, publicado recentemente pelo Instituto Reuters em parceria com a Universidade de Oxford. “Em 2022, os avanços extraordinários da inteligência artificial (IA) revelaram oportunidades (e desafios) imediatos para o jornalismo. A IA está finalmente dando à mídia a oportunidade de oferecer informações e formatos mais pessoais e pode ajudar a lidar com a fragmentação do canal e a sobrecarga de informações. Mas essas novas tecnologias também trarão consigo questões existenciais e éticas, juntamente com mais deepfakes, pornografia falsa e outras alterações. (...) Debates sobre automação no jornalismo não são fáceis. Muitos dão as boas-vindas à possibilidade de resolver certas tarefas não jornalísticas com mais eficiência, mas, ao mesmo tempo, temem que o conteúdo produzido de forma barata e semiautomatizada possa minar a confiança e tornar as notícias ainda menos valiosas. Um de nossos entrevistados, que trabalha para uma empresa líder em jornalismo de qualidade, afirma que, nessas circunstâncias, a seleção humana de conteúdo torna-se um diferencial ainda mais relevante.” A partir da leitura é possível concluir que
- A)o conteúdo produzido por IA de forma barata e semiautomatizada ainda é de baixa qualidade e facilmente percebido pelo leitor, dispensando a curadoria humana.
Errada, porque o texto não diz que o conteúdo semiautomatizado é sempre de baixa qualidade nem que a curadoria humana possa ser dispensada.
- B)o uso da IA no Jornalismo enseja debates e pode trazer tanto vantagens quanto riscos.
Certa, pois o trecho aponta benefícios da IA no jornalismo, mas também ressalta riscos, debates éticos e necessidade de seleção humana.
- C)a IA e o Jornalismo são atividades incompatíveis e, portanto, sua aproximação deve ser evitada em todas as etapas de produção e divulgação.
Errada, porque o texto não trata IA e jornalismo como incompatíveis, e sim como elementos que podem conviver com ressalvas.
- D)o uso da IA no Jornalismo ocasionará obrigatoriamente a proliferação de deepfakes e diminuição da credibilidade dos veículos jornalísticos.
Errada, porque o texto menciona deepfakes como um risco possível, não como consequência obrigatória e inevitável.
- E)o uso da IA no jornalismo ainda é uma realidade distante das empresas jornalísticas tradicionais, ficando restritas às start-ups.
Errada, porque o trecho não limita o uso da IA a start-ups nem sugere que isso ainda esteja distante das empresas tradicionais.
Gabarito: B
A questão trata do impacto da inteligência artificial no jornalismo, tema muito atual e recorrente em provas da FGV. O trecho mostra uma visão equilibrada: a IA abre portas para personalização, eficiência e apoio na produção de conteúdo, mas também traz riscos éticos, como deepfakes, automação excessiva e possível desgaste da confiança do público. Perceba que o texto não fala em substituição total do jornalismo humano. Pelo contrário, ele destaca que a tecnologia ajuda em tarefas específicas, enquanto a curadoria humana continua relevante, especialmente para selecionar, checar e dar sentido ao conteúdo. Em jornalismo, nem tudo pode ser deixado no modo automático, porque notícia não é só velocidade: é também apuração, responsabilidade e credibilidade. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela resume exatamente a ideia central do trecho: o uso da IA no jornalismo gera debates e pode trazer vantagens e riscos ao mesmo tempo. Essa leitura é coerente com a literatura contemporânea sobre automação jornalística, que costuma defender uso assistido por humanos, e não a substituição integral da atividade jornalística. Em concursos, a FGV gosta de alternativas absolutas demais, como "sempre", "nunca" e "obrigatoriamente". Quando o texto é ponderado e a opção transforma tudo em certeza total, acenda o alerta: geralmente é armadilha.