“O jornalismo se legitimou como uma fonte de informação essencial nas democracias porque seu discurso se baseia em evidências de veracidade: a fotografia, a consulta a fontes especializadas, a precisão no detalhamento dos fatos, a correção de erros. Fazem parte das provas de que o leitor precisa para atestar se o jornalismo é independente, imparcial, honesto, objetivo e coerente. Mas não basta cumprir à risca esses valores sem demonstrá-los como se efetivam na prática”. (LISBOA, 2018, documento on-line) A autora, Silvia Lisboa, defende que para que o Jornalismo recupere a sua credibilidade deve-se apostar
- A)na transparência dos processos de apuração e dos meios de financiamento da publicação.
Certa: a autora defende transparência na apuração e no financiamento como base para reconstruir a credibilidade jornalística.
- B)no atendimento aos interesses comerciais e políticos dos donos do veículo de comunicação.
Errada: atender a interesses comerciais e políticos dos donos compromete a independência, em vez de recuperar a confiança.
- C)na redação de textos estilo clickbait que promovam o engajamento da audiência.
Errada: clickbait pode aumentar cliques, mas não fortalece a credibilidade nem a ética jornalística.
- D)na notoriedade dos jornalistas e em seu capital de credibilidade entre os pares.
Errada: notoriedade do jornalista não substitui transparência, checagem e responsabilidade pública.
- E)no atendimento aos interesses do público em detrimento da relevância social dos temas das matérias publicadas.
Errada: privilegiar apenas o interesse imediato do público pode sacrificar a relevância social e o papel informativo do jornalismo.
Gabarito: A
A ideia central da questão é simples: jornalismo não se sustenta só com discurso bonito sobre imparcialidade, objetividade e honestidade. Para recuperar credibilidade, o veículo precisa mostrar como trabalha, deixando visíveis os caminhos da apuração, os critérios de escolha das fontes e até as condições que influenciam a produção da notícia. Em outras palavras, não basta ser confiável na teoria; é preciso parecer confiável na prática, e isso passa por transparência. Esse ponto conversa diretamente com a ética jornalística contemporânea, que valoriza prestação de contas ao público, explicitação de métodos e correção de eventuais falhas. Quando o leitor entende de onde veio a informação, como ela foi checada e quais interesses podem estar em jogo, a confiança aumenta. No jornalismo, credibilidade não nasce do mistério, mas da clareza. Por isso, o gabarito é a alternativa A. A autora defende que o jornalismo recupere sua legitimidade apostando na transparência dos processos de apuração e também dos meios de financiamento da publicação. Isso é importante porque o modo de financiar um veículo pode interferir na independência editorial, e esconder esse dado só alimenta desconfiança. As demais alternativas fogem totalmente da lógica ética do jornalismo. Algumas tentam puxar a resposta para marketing, audiência ou interesses dos donos, mas a tese da autora vai na direção oposta: ela quer mais abertura e menos opacidade. É o tipo de questão em que a banca troca ética por sedução de mercado para ver se você pisca.