O efeito das novas tecnologias é inexorável, mas algumas questões precisam ser redimensionadas nas redações. Em relação ao tema, assinale a afirmativa incorreta.
- A)O público virou produtor de conteúdo e as empresas aproveitam essa participação da audiência.
Certa: o público passou a participar mais da produção e circulação de conteúdo, e as empresas aproveitam esse engajamento.
- B)Como chegam muitas participações da audiência e há menos profissionais nas redações, não se deve checar as informações do público para não perder tempo.
Errada: mesmo com menos equipe e mais volume de mensagens, a redação deve checar as informações recebidas, e não publicar sem apuração.
- C)As empresas de comunicação acabaram “terceirizando” a produção de conteúdo e, com o tempo, isso pode enfraquecê-las.
Certa: a participação crescente da audiência e a produção colaborativa podem dar sensação de terceirização e, se mal administradas, enfraquecer o veículo.
- D)O crescimento das plataformas digitais faz com que, em muitas oportunidades, governantes dispensem as empresas de comunicação tradicionais e falem com o público sem intermediação.
Certa: plataformas digitais permitem que governantes falem diretamente com o público, reduzindo a mediação da imprensa tradicional em muitas situações.
- E)Profissionais ligados a veículos de comunicação devem ter cuidado nas redes sociais porque o que falam será associado às empresas que trabalham.
Certa: a fala de profissionais nas redes pode ser associada ao veículo, então o cuidado com a imagem pública é indispensável.
Gabarito: B
As novas tecnologias mudaram a lógica da comunicação: hoje o público não fica só assistindo, ele comenta, grava, envia, compartilha e até produz conteúdo. Isso fez as redações terem de lidar com um fluxo enorme de informações vindas da audiência, o que pode enriquecer a cobertura, mas também aumenta o risco de boato, montagem e informação incompleta. Por isso, a empresa de comunicação não pode virar um "repassador automático" do que chega pelas redes. O básico continua valendo: apurar, confrontar fontes e verificar o que veio do público antes de publicar. É justamente aí que está o erro da alternativa B. Dizer que, como há muitas participações e menos profissionais, não se deve checar para não perder tempo é o oposto do que o jornalismo responsável exige. Em comunicação, quantidade não substitui qualidade, e pressa não combina com credibilidade. Se a redação relaxa na verificação, ela economiza minutos e perde confiança, que é muito mais caro. As demais alternativas conversam com fenômenos reais do ambiente digital, como a participação ativa da audiência, a desintermediação da fala de autoridades e o impacto da conduta de profissionais nas redes sociais sobre a imagem do veículo. Em resumo: tecnologia muda o cenário, mas não revoga a necessidade de apuração. A credibilidade ainda é o melhor "algoritmo" de uma redação.