Ao entrevistar uma pessoa, tanto no rádio, como na TV, é importante que sejam tomados certos cuidados. Em relação ao tema, assinale a afirmativa correta.
- A)Se o entrevistado for alguém que deve satisfações ao público, deve-se produzir uma entrevista-armadilha, ou seja, chamá-lo para comentar um assunto e abordar outro.
Errada, porque entrevista-armadilha fere a ética jornalística e não é recomendável enganar o entrevistado para mudar o tema combinado.
- B)A entrevista é sempre um debate; o bate-boca deve ser estimulado para subir a audiência. Entrevistador e entrevistado devem ir para o confronto.
Errada, porque entrevista não é sinônimo de confronto ou bate-boca, e o objetivo não é estimular conflito para audiência.
- C)O jornalista deve perguntar sobre qualquer assunto, inclusive, se for artista, sobre a vida pessoal do entrevistado, mesmo que não tenha nada a ver com pauta.
Errada, porque o jornalista deve fazer perguntas pertinentes à pauta, sem invadir a vida pessoal sem justificativa jornalística.
- D)Se o entrevistado for do tipo “escorregadio”, o jornalista deve lembrá-lo onde está, se for necessário, chegando até mesmo a ofendê-lo se ele se recusar a dar respostas objetivas.
Errada, porque o entrevistador pode ser firme, mas não deve ofender o entrevistado nem usar agressão para obter resposta.
- E)O entrevistado tem o direito legal de não responder sobre determinado assunto e tem que ser respeitado em sua decisão.
Certa, porque o entrevistado pode se recusar a responder sobre determinado assunto e esse direito deve ser respeitado.
Gabarito: E
Em entrevista para rádio e TV, o jornalista precisa equilibrar interesse público, clareza e respeito ao entrevistado. A entrevista não é uma licença para constranger, humilhar ou invadir a vida privada sem justificativa editorial. O bom entrevistador pode ser firme, insistente e objetivo, mas não pode transformar o espaço em armadilha, briga ou espetáculo de grosseria. A ideia central aqui é simples: o entrevistado tem direitos, inclusive o de não responder a uma pergunta específica, especialmente quando o assunto não é pertinente à pauta ou pode ferir sua dignidade, honra, imagem ou privacidade. Isso se conecta ao direito à intimidade, vida privada, honra e imagem, previsto no art. 5º, X, da Constituição Federal, além da liberdade de expressão e da atividade jornalística, que não eliminam esses limites. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Ela traduz uma regra básica de ética e de técnica jornalística: o entrevistado pode recusar resposta sobre determinado tema e essa decisão deve ser respeitada. O jornalista pode insistir com educação e pertinência, mas não pode obrigar, constranger nem usar agressividade como método. Em resumo: entrevista boa não é entrevista armadilha, nem bate-boca, nem sessão de exposição gratuita. É apuração com responsabilidade. Em prova, sempre desconfie das alternativas que tratam o entrevistado como alvo, e não como fonte.