Ao editar uma entrevista, o jornalista deve
- A)pensar na mensagem que quer passar, mesmo que para isso seja necessário deturpar um pouco a sonora do entrevistado.
Errada, porque deturpar a fala do entrevistado para reforçar uma mensagem viola a fidelidade jornalística.
- B)não eliminar gaguejadas e períodos de silêncio para não tirar a espontaneidade da sonora.
Errada, porque gaguejadas e silêncios podem ser cortados na edição sem prejuízo da autenticidade, desde que o sentido seja preservado.
- C)retirar choros e gargalhadas em nome da neutralidade.
Errada, porque choros e gargalhadas não devem ser eliminados automaticamente; às vezes eles fazem parte do sentido e do tom da entrevista.
- D)escolher as sonoras de modo que elas sejam tão opinativas quanto for possível; o enredo e o contexto devem estar no texto do editor.
Certa, porque a sonora deve refletir a fala do entrevistado, enquanto o jornalista assume no texto a contextualização e o encadeamento da matéria.
- E)repetir na sonora a informação que está no texto.
Errada, porque repetir na sonora o que já está no texto é redundante e empobrece a matéria, além de não ser critério de boa edição.
Gabarito: D
Na entrevista jornalística, a edição não serve para "embelezar" a fala do entrevistado, nem para fabricar um sentido que ele não disse. A regra de ouro é preservar a fidelidade do conteúdo, mantendo a intenção, o contexto e o sentido original da sonora. O editor pode cortar excessos, repeticoes e trechos que prejudiquem a compreensão, mas sem manipular a fala para criar opiniao, emoção falsa ou uma mensagem diferente. Isso é importante porque a entrevista é um gênero em que a voz do entrevistado tem peso próprio. Se o jornalista monta as sonoras de forma opinativa demais, ele passa a falar pelo entrevistado. Aí a entrevista deixa de informar e vira quase uma caricatura do discurso alheio. Por isso, o gabarito D está correto: ao editar, o jornalista deve escolher as sonoras com critério, mas sem distorcer o sentido, deixando o enredo e o contexto para o texto de apoio do editor. O texto do jornalista organiza, contextualiza e amarra as falas; a sonora traz a fala real, com autenticidade. Em linguagem de prova: editar entrevista é selecionar com responsabilidade, não reescrever a fala alheia. Se houver alteração de sentido, já saiu do jornalismo e entrou na produção de ruído.