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Comunicação Social · FGV · 2021

Questão comentada de Comunicação Social

A crônica é um gênero de redação jornalística que teve origem nos folhetins franceses do século XIX. No Brasil, ela sofreu adaptações linguísticas e temáticas, como se pode observar na citação a seguir: “a crônica assumiu entre nós caráter sui generis. Em outros termos, estamos criando uma nova forma de crônica (ou dando erradamente esse rótulo a um gênero novo) que nunca medrou na França. Crônica é para nós hoje, na maioria dos casos, prosa poemática, humor lírico, fantasia, etc., afastando-se do sentido de história, de documentário que lhe emprestam os franceses” (MOISÉS, M. A criação literária. São Paulo: Editora Cultrix, 1982. Pg. 246). Sobre a crônica esportiva nos jornais impressos, é correto afirmar que:

Gabarito: E

A crônica esportiva é aquele espaço em que o jornalismo deixa de ser só súmula e vira leitura de jogo, de personagem e de atmosfera. Ela nasce ligada ao fato, mas não fica presa a ele como um relatório frio: o cronista pode comentar, ironizar, poetizar, exagerar um pouco e até transformar um lance em cena literária. É por isso que, no Brasil, a crônica ganhou um jeito próprio, bem diferente do modelo mais documental associado aos folhetins franceses. No caso da crônica esportiva, o texto costuma circular entre informação, opinião e estilo. O autor pode falar da partida, do estádio, da torcida, do clima, de uma memória pessoal ou de uma metáfora que faça sentido para aquele jogo. Não é um texto engessado, e justamente essa liberdade é uma marca central do gênero. Em outras palavras: a crônica esportiva não precisa se limitar ao placar para existir, porque o valor dela muitas vezes está na forma de narrar o acontecimento. Por isso, a alternativa correta é a letra E. Ela descreve bem essa mistura de Jornalismo e Literatura, com liberdade de criação e abertura para vários assuntos. Essa característica é coerente com a tradição brasileira da crônica, descrita por autores como Marques de Melo e Nilson Lage como um gênero híbrido, situado entre o relato jornalístico e a expressão literária. As demais alternativas tentam empurrar a crônica para um jornalismo seco, sem opinião, sem subjetividade e sem imaginação, mas aí ela perde sua essência. Na prática, a crônica esportiva vive justamente dessa zona de fronteira: informa, interpreta e, de quebra, dá sabor ao noticiário.

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