Leia o trecho abaixo, lido por William Bonner e Renata Vasconcellos, no encerramento do Jornal Nacional por ocasião das 500 mil mortes decorrentes da Covid-19, em junho de 2020. “Desde o início de maio, o Senado está investigando responsabilidades. Haverá consequências. E a mais básica será a de ter levado ao povo brasileiro o conhecimento sobre como e por que se chegou até aqui. Quando todos nós olharmos para trás, quando nos perguntarem o que fizemos para ajudar a evitar essa tragédia, cada um de nós terá a sua resposta. A esmagadora maioria vai poder dizer, com honestidade e com orgulho, que fez de tudo, fez a sua parte e mais um pouco. Nós, do Jornalismo da Globo, estamos há um ano e meio, com base na ciência, cumprindo o nosso dever de informar, sem meias palavras. Muitas vezes nós pagamos um preço por isso, com incompreensões de grupos que são minoritários, mas barulhentos. Não importa. Nós seguimos em frente, sem concessões. E seguiremos em frente, sem concessões. Porque tudo tem vários ângulos e todos devem ser sempre acolhidos para discussão. Mas há exceções. Quando estão em perigo coisas tão importantes como o direito à saúde, por exemplo. Ou o direito de viver numa democracia. Em casos assim, não há dois lados. E é esse o norte que o Jornalismo da Globo continuará a seguir.” Por suas características, esse trecho é parte de um (a)
- A)matéria paga.
Errada, porque matéria paga é conteúdo publicitário disfarçado de jornalismo, o que não corresponde a um texto opinativo institucional.
- B)artigo de opinião.
Errada, porque artigo de opinião tem autoria individual e expressa a visão pessoal de um articulista, não a posição oficial de um veículo.
- C)notícia.
Errada, porque notícia prioriza objetividade, atualidade e relato factual, sem defesa explícita de tese ou posicionamento institucional.
- D)reportagem.
Errada, porque reportagem aprofunda um fato com apuração, contexto e pluralidade de vozes, mas sem assumir, em regra, a voz editorial do veículo.
- E)editorial.
Certa, porque o trecho expressa a posição institucional do veículo, com juízo de valor e defesa de uma linha editorial.
Gabarito: E
Esse trecho tem a cara de texto opinativo institucional: há julgamento de valor, defesa de uma linha editorial e posicionamento explícito sobre um tema de interesse público. Repare que os apresentadores falam em primeira pessoa do plural, defendem o trabalho do veículo, criticam a ideia de “dois lados” quando há risco à saúde e à democracia e encerram com uma diretriz clara para a atuação jornalística. Isso não é a estrutura neutra e informativa de uma notícia, nem a abordagem ampliada e descritiva de uma reportagem. Em jornalismo, o editorial é justamente o gênero em que o veículo expõe sua posição oficial, sem assinatura individual, representando a orientação da empresa de comunicação. É um texto opinativo, institucional e doutrinário, voltado a interpretar fatos e a defender um ponto de vista. Por isso, mesmo quando é lido por apresentadores famosos, o que importa é o conteúdo e a função do texto, não quem o leu. A marca central aqui é a manifestação da posição do jornal sobre a cobertura da pandemia e sobre os limites do debate público. Expressões como “sem concessões”, “não há dois lados” e “esse é o norte” mostram claramente defesa de uma tese e orientação editorial. Em outras palavras: o texto quer convencer, não apenas informar. Então, o gabarito é a letra E. Se a questão te mostrar um texto com tom institucional, sem autoria individual, com julgamento de valor e defesa explícita da linha do veículo, pense em editorial. É o clássico momento em que o jornal sai do modo “contar o que aconteceu” e entra no modo “dizer o que pensa”.