Alguns desafios enfrentados cotidianamente pelos jornalistas se relacionam com uma palavra de 2016, escolhida pelo Dicionário de Oxford. Definida como "relativo a ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal”, a palavra é
- A)Pós-verdade.
Correta, porque a definição apresentada coincide com o conceito de pós-verdade, escolhido pelo Dicionário de Oxford em 2016.
- B)Desinformação.
Errada, porque desinformação é a circulação de informação falsa ou enganosa, mas não corresponde exatamente à definição baseada na perda de peso dos fatos diante das emoções.
- C)Infodemia.
Errada, porque infodemia é a superabundância de informações, muitas delas imprecisas, especialmente em contextos de crise sanitária.
- D)Ciberbullying.
Errada, porque ciberbullying é assédio ou intimidação praticado no ambiente digital, sem relação direta com a formação da opinião pública por emoções.
- E)Fake News.
Errada, porque fake news são notícias falsas ou fabricadas, mas a definição do enunciado aponta para um fenômeno mais amplo do que apenas notícia falsa.
Gabarito: A
A questão explora um conceito muito cobrado em jornalismo e teoria da comunicação: a ideia de que a opinião pública passa a ser mais influenciada por emoções, crenças e narrativas do que por fatos verificáveis. Esse fenômeno ganhou enorme destaque no debate público a partir de 2016, justamente quando o Dicionário de Oxford escolheu a expressão que resume essa virada no modo de consumir e interpretar informação. No contexto jornalístico, isso é um desafio enorme porque o trabalho de apuração, checagem e contextualização perde espaço quando o público já chega à notícia com uma convicção pronta. A informação deixa de ser avaliada primeiro pela evidência e passa a ser filtrada pelo que a pessoa quer acreditar. É aí que o jornalismo encontra dificuldade extra para convencer, esclarecer e corrigir distorções. O gabarito é a alternativa A, porque a definição dada no enunciado corresponde exatamente ao termo que descreve situações em que fatos objetivos têm menos peso do que apelos emocionais e crenças pessoais. Esse uso se consolidou no debate contemporâneo sobre mídia, política e redes sociais, especialmente em um ambiente de circulação acelerada de conteúdo e baixa tolerância à verificação. Vale notar a diferença: não se trata apenas de mentira ou de boato, mas de um clima social em que a verdade factual perde força no debate público. Em outras palavras, a discussão deixa de ser "o que aconteceu?" e vira "no que eu acredito?". E aí o jornalismo precisa trabalhar dobrado.