Leia o texto a seguir, extraído do Guia Essencial da First Draft para entender a desordem informacional. “Vivemos em uma era de transtorno da informação. A promessa da era digital nos incentivou a acreditar que apenas mudanças positivas ocorreriam quando vivêssemos em comunidades hiperconectadas e fôssemos capazes de acessar qualquer informação que precisássemos com um clique ou um deslizar de dedos. Porém, essa visão idealizada foi rapidamente substituída pelo reconhecimento de que nosso ecossistema de informações está perigosamente poluído e está nos separando em vez de nos conectar” (FIRST DRAFT, 2020, p. 8) Nesse contexto, é correto afirmar que
- A)os sites impostores se parecem com os meios de comunicação profissionais, mas são usados apenas para checagem da veracidade de informações virais.
Errada: sites impostores imitam veículos profissionais para enganar, mas não servem apenas para checagem de informações virais.
- B)a desinformação, conteúdo falso criado sem intenção de dano, é motivada por interesses puramente financeiros, e pode ser facilmente identificada.
Errada: desinformação é conteúdo falso criado com intenção de enganar ou causar dano, e não algo "sem intenção de dano".
- C)a sociedade hiperconectada é capaz de se autorregular, logo as plataformas de redes sociais não têm qualquer política de combate a conteúdos falsos.
Errada: plataformas de redes sociais adotam políticas de moderação e combate a conteúdos falsos, ainda que sejam insuficientes ou controversas.
- D)a veracidade das informações e opiniões compartilhadas em rede só pode ser aferida mediante denúncia às agências de checagem.
Errada: a verificação não depende só de denúncias às agências de checagem; o leitor pode conferir fontes, contexto e evidências por vários meios.
- E)o termo fake news, apesar de popular, é insuficiente para explicar a desordem informacional, além de ser usado, por alguns, para desacreditar e atacar o jornalismo profissional.
Certa: "fake news" é um termo popular, mas limitado para explicar a desordem informacional e ainda pode ser usado para atacar o jornalismo profissional.
Gabarito: E
O texto trabalha com a ideia de desordem informacional, isto é, o ambiente em que circulam conteúdos enganosos, manipulados, fora de contexto ou produzidos para confundir. Nesse cenário, falar apenas em "fake news" é pouco, porque o problema é mais amplo do que uma notícia falsa isolada. Há desinformação, má informação, informação mal contextualizada e até usos estratégicos do termo para desqualificar veículos e profissionais de imprensa. Por isso, a alternativa E está correta: embora "fake news" tenha virado expressão popular, ela é insuficiente para explicar toda a complexidade do fenômeno. Além disso, o termo é frequentemente usado de forma política e retórica para atacar o jornalismo profissional, como se qualquer notícia incômoda pudesse ser tachada de falsa. Ou seja, o rótulo virou arma de disputa de narrativa. Na literatura da área, especialmente em autores e relatórios sobre desordem informacional, a distinção entre misinformation, disinformation e malinformation ajuda a entender que nem todo conteúdo problemático nasce com a mesma intenção. Isso é importante em prova, porque a banca costuma cobrar exatamente essa diferença entre o fenômeno amplo e a expressão popular simplificadora. Resumo para a prova: desconfiou de alternativa que trate o problema como algo simples, automático ou resolvido só com checagem? Pode soar bonito, mas geralmente está errada. A realidade da desinformação é mais bagunçada do que manchete de portal em dia de plantão.