A escolha do ângulo de câmera é um recurso poderoso na construção narrativa e simbólica do cinema. O plongée e o contraplongée são dois ângulos frequentemente utilizados para manipular a percepção do espectador sobre personagens e cenários, influenciando interpretações emocionais e psicológicas. Sua aplicação requer uma compreensão precisa de como esses ângulos impactam a narrativa e a estética. Analise a imagem a seguir: Em uma cena de discussão entre os personagens A e B, o diretor utiliza um plongée sobre o personagem A e um contraplongée no personagem B. O efeito narrativo e simbólico dessa escolha técnica busca:
- A)Explorar a neutralidade emocional entre os personagens, destacando apenas a dinâmica espacial da cena.
Errada, porque plongée e contraplongée não são neutros: eles alteram a percepção emocional e hierárquica dos personagens.
- B)Mostrar a igualdade de forças entre os personagens, utilizando os ângulos como um contraste meramente visual.
Errada, porque os ângulos não indicam igualdade de forças, mas sim uma relação visual de superioridade e inferioridade.
- C)Diminuir a imponência do personagem A e criar empatia com o personagem B, suavizando o impacto visual da discussão.
Errada, porque o plongée em A não cria empatia com B; ele tende a fragilizar A e destacar a dominância de B.
- D)Reforçar a vulnerabilidade do personagem B e a dominação física do personagem A, invertendo os papéis tradicionais de poder.
Errada, porque inverte os papéis de poder de forma incompatível com os efeitos clássicos desses ângulos na linguagem do cinema.
- E)Enfatizar a fragilidade do personagem A e a superioridade do personagem B, criando uma dualidade de poder entre os personagens.
Certa, porque o plongée tende a enfraquecer A e o contraplongée a exaltar B, construindo a diferença de poder entre eles.
Gabarito: E
O plongée é o enquadramento feito de cima para baixo. Na prática, ele costuma diminuir a presença do personagem, passando ideia de fragilidade, inferioridade, isolamento ou vulnerabilidade. Já o contraplongée é o movimento contrário, de baixo para cima, e normalmente aumenta a sensação de força, domínio, imponência ou poder. No cinema, esses ângulos não são só “bonitos”: eles contam a história junto com o roteiro. Nesta questão, o diretor usa plongée em A e contraplongée em B. Isso faz A parecer mais frágil e B mais superior, como se houvesse uma assimetria de poder entre eles. O efeito simbólico é justamente esse jogo visual de hierarquia, muito explorado na linguagem audiovisual para direcionar a leitura emocional do espectador. Por isso, o gabarito é a letra E: a câmera enfraquece visualmente A e fortalece B. Em questões de linguagem cinematográfica, a banca costuma cobrar exatamente essa leitura básica dos ângulos, sem inventar moda: alto reduz, baixo amplia. Simples, mas poderoso. Como referência conceitual, isso é tratado pela teoria da linguagem cinematográfica e da composição de planos, que associa ponto de vista e angulação à construção de sentido narrativo e simbólico.