Em uma sessão ordinária de determinada Câmara Municipal, diferentes veículos de comunicação enviaram repórteres para realizar a cobertura jornalística do evento. Um dos jornalistas produziu sua reportagem com o presidente da Casa, destacando aspectos mais visíveis de sua atuação durante a sessão e a entrevista. Do ponto de vista dos objetivos da entrevista, essa abordagem específica é caracterizada como:
- A)Confrontacional, pois estabelece uma dinâmica acusatória entre entrevistador e entrevistado.
Errada, porque a abordagem descrita não é de confronto ou cobrança agressiva, mas de cobertura institucional e observação da figura pública.
- B)Testemunhal, pois evidencia a exposição do entrevistado em detrimento do conteúdo de suas declarações.
Errada, porque a entrevista testemunhal privilegia o relato de quem viu ou viveu um fato, e aqui o destaque está na exposição do presidente da Câmara.
- C)Em profundidade, pois documenta o relato do entrevistado sobre eventos dos quais participou ou presenciou.
Errada, porque a entrevista em profundidade busca exploração ampla e detalhada de um tema, o que não é o foco da situação narrada.
- D)Temática, pois aborda aspectos intrínsecos à autoridade e competência do entrevistado sobre determinado assunto.
Errada, porque a entrevista temática se organiza em torno de um assunto específico, enquanto o caso destaca mais a presença e a atuação visível da autoridade.
- E)Ritual, pois o ponto de interesse está mais centrado na exposição do entrevistado, independentemente de temas específicos.
Certa, porque a entrevista ritual valoriza a exposição do entrevistado em um contexto institucional, com foco na figura pública e no protocolo do evento.
Gabarito: E
Em jornalismo, a entrevista pode assumir funções bem diferentes, e isso muda bastante a leitura da peça. Às vezes ela serve para confrontar, às vezes para colher testemunho, às vezes para aprofundar um tema. Mas, em outras situações, o foco não está no conteúdo técnico da fala, e sim na própria figura pública exposta no evento. É aí que entra a entrevista ritual. A entrevista ritual costuma aparecer em coberturas institucionais, cerimônias, solenidades e eventos oficiais. O entrevistado vira, em certo sentido, o centro simbólico da pauta: o interesse está na presença, no cargo, na imagem pública e nos gestos mais visíveis da autoridade, mais do que em uma apuração densa sobre um tema específico. É quase uma entrevista de protocolo, que acompanha a liturgia do acontecimento. No enunciado, o repórter cobre uma sessão de Câmara Municipal e entrevista o presidente da Casa destacando os aspectos mais visíveis de sua atuação durante a sessão. Isso aponta justamente para a exposição do personagem público dentro de um rito institucional, e não para uma análise temática profunda nem para um embate acusatório. O foco está na cena, na posição ocupada e na visibilidade da autoridade. Por isso, o gabarito é a letra E. Em teoria do jornalismo, essa classificação aparece em autores que tratam dos objetivos da entrevista, como parte dos gêneros ou formatos jornalísticos, em que a entrevista ritual se relaciona à cobertura de cerimônias e à função de dar visibilidade ao agente público no contexto do evento.