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Comunicação Social · CONSULPLAN · 2025

Questão comentada de Comunicação Social

A história das teorias da comunicação é a história das separações e das diversas tentativas de articular ou não os termos do que frequentemente surgiu sob a forma de dicotomias e oposições binárias, mais do que de níveis de análise. Daí resultou um conjunto de conhecimentos, métodos e pontos de vista tão heterogêneos e discordantes que tornam não só difícil, mas também insensata qualquer tentativa para se conseguir uma síntese satisfatória e exaustiva. (WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Editorial Presença, Lisboa, 1995.) Considere que uma jornalista descobre uma denúncia de assédio moral envolvendo o diretor de uma grande empresa local. A fonte da denúncia é um ex-funcionário que decidiu contar a sua história. Ele afirma ter provas, como e-mails e gravações, e está disposto a compartilhá-las. O caso, se confirmado, poderia prejudicar a imagem da empresa. Após uma reunião com a equipe, o redator-chefe analisa a matéria e decide não publicar a notícia com os argumentos de verificação insuficiente e implicações legais e éticas. Podemos afirmar que tal caso é uma exemplificação da teoria:

Gabarito: C

A questão explora as teorias do jornalismo que tratam da seleção das notícias, especialmente a ideia de que nem tudo o que acontece vira notícia. No jornalismo real, a redação funciona como uma espécie de filtro: a informação entra, passa por checagem, avaliação editorial, critérios de relevância e também por cuidados jurídicos e éticos. É aí que a teoria do gatekeeper aparece com força, porque ela explica justamente o papel de quem decide o que será publicado e o que vai ficar de fora. No caso narrado, a jornalista descobre uma denúncia com documentos, mas o redator-chefe decide não publicar após analisar a matéria e concluir que ainda há verificação insuficiente e riscos legais e éticos. Isso é clássico de gatekeeping: alguém na estrutura da redação atua como porteiro da informação, barrando ou liberando o conteúdo antes de ele chegar ao público. A lógica dessa teoria vem da obra de Kurt Lewin, que inspirou os estudos sobre os filtros dentro do fluxo de informações, e depois foi desenvolvida no jornalismo para mostrar como decisões editoriais moldam a notícia. Ou seja, o fato não vira notícia sozinho: ele precisa passar por escolhas humanas, institucionais e profissionais. Por isso o gabarito é a letra C. O caso não descreve apenas a produção da notícia, mas principalmente a decisão de não publicar, que é exatamente o tipo de ação que o gatekeeper realiza: filtra, bloqueia, seleciona e hierarquiza o que chega ao público.

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