No Brasil, pesquisas sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação apontam que o celular ultrapassou o computador pessoal como dispositivo favorito para acesso à internet desde, pelo menos, 2016 (USO DE INTERNET..., 2016). Outra pesquisa, realizada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, mostrou que o WhatsApp é a fonte de informação principal de 79% dos entrevistados, à frente dos meios tradicionais, como televisão (50%), rádio (22%) e jornal impresso (8%). A lista completa mostra o bom posicionamento de outras plataformas digitais, como YouTube (49%), Facebook (44%), sites de notícias (38%), Instagram (30%) e Twitter (7%) – mais de 80%..., 2019. Esses dados demonstram como o consumo de informação na aurora da terceira década do século XXI transcende o modelo comunicacional tradicional dos meios analógicos, no qual “participar do processo comunicativo era apenas ter acesso às informações e, no máximo, selecioná-las de acordo com as suas convicções e repertório intelectual e social” (AGNEZ, 2009, p. 5). (Lima Junior, 2011.) Sobre o jornalismo nas novas mídias, assinale a INCORRETA.
- A)No ambiente multiplataforma, as pessoas se relacionam com a informação de forma portátil, personalizada e participativa.
Correta, porque no ambiente multiplataforma a informação fica mais portátil, personalizada e participativa.
- B)A ubiquidade no consumo de informação altera não apenas a produção jornalística, mas também a distribuição e o consumo de notícias.
Correta, pois a ubiquidade da informação altera a forma de produzir, distribuir e consumir notícias.
- C)A informação, neste novo cenário, transita em sistemas midiáticos híbridos que estão sendo utilizados por consumidores mais participativos e envolvidos no processo de produção, consumo e distribuição da informação.
Correta, já que os sistemas midiáticos híbridos ampliam a participação do consumidor no processo informativo.
- D)Nesse novo contexto, o consumo da informação é pouco flexível e individualizado. Como resultado, a linearidade das narrativas tradicionais das mídias é suplantada por modelos menos atomizados e únicos, que não se adaptam às necessidades e preferências dos usuários.
Errada, porque as novas mídias tornam o consumo mais flexível, individualizado e interativo, não menos.
Gabarito: D
A questão trata da transformação do jornalismo com as novas mídias: a informação deixou de circular só em canais lineares e passou a ser consumida em ambientes multiplataforma, móveis e interativos. Hoje, o usuário não é apenas receptor; ele também compartilha, comenta, recorta e até influencia a circulação do conteúdo. Isso muda produção, distribuição e consumo ao mesmo tempo. Esse cenário é marcado por termos como portabilidade, personalização, interatividade e ubiquidade. Em outras palavras: a notícia pode chegar pelo celular, no horário e do jeito que mais fazem sentido para cada pessoa. A comunicação ficou menos engessada e mais conectada ao comportamento do público. Por isso, a alternativa D está errada. Ela afirma exatamente o contrário do que ocorre nas novas mídias: diz que o consumo é pouco flexível e individualizado e que a linearidade tradicional é suplantada por modelos menos adaptáveis. Na prática, o novo ambiente amplia a flexibilidade, a personalização e a participação do usuário. A banca cobra bastante essa lógica da convergência midiática, em que conteúdo, plataforma e público se misturam. A ideia central, bem ao estilo de autores como Jenkins, é que a comunicação contemporânea é mais participativa e dinâmica, não mais passiva e rígida como no modelo tradicional.