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Comunicação Social · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Comunicação Social

“O público que se dane”: com essa resposta a um repórter do jornal The New York Times, que pedia esclarecimentos sobre a paralisação dos serviços ferroviários prestados por sua companhia, William Henry Vanderbilt, empresário norte-americano, tornou-se figura emblemática de um período em que dirigentes de instituições queriam distância dos jornalistas, preferindo mesmo que eles não existissem. O ano de 1882 e a declaração atribuída a Vanderbilt fazem parte de uma realidade que parece incompatível com nosso cotidiano. Hoje, o que observamos é uma verdadeira disputa pela visibilidade midiática. O que existe é o que está na mídia. Publicizar, tornar públicos acontecimentos considerados relevantes, passou a ser uma das mais importantes estratégias adotadas pelos diversos campos sociais para obter aprovação da sociedade e garantir sua legitimidade. No mundo contemporâneo, o saber fundamentado na autoridade “daquele que fala” passou a ser legitimado por “aquele que ouve” – a opinião pública. (Graça França Monteiro, 2018.) Conscientes da importância do acesso à mídia e do poder que tem nela, as instituições trabalham para serem “lembradas pela imprensa”, para ampliarem sua presença nos veículos e, mais do que isso, para serem reconhecidas como referências. Para atingir tais objetivos, produzem textos informativos para divulgação jornalística, compreendendo pautas, releases, position papers, informes oficiais, comunicados, artigos, notas técnicas. Enfim, produzem notícias. Sobre a notícia institucional, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

A notícia institucional não é um “vale tudo” de publicidade. Mesmo quando parte de uma assessoria, ela precisa conversar com critérios jornalísticos como relevância, clareza, interesse público, objetividade e adequação ao veículo. Em outras palavras, a instituição quer aparecer, mas não pode mandar um texto genérico esperando que ele funcione igual em qualquer lugar. Cada redação tem sua linguagem, seu público e sua linha editorial. É por isso que releases bem trabalhados costumam ser adaptados para cada meio, programa ou editoria. Um mesmo fato pode virar uma versão mais curta para rádio, mais visual para TV, mais analítica para um caderno especializado e mais direta para portal. Quanto mais o material “encaixa” no perfil do veículo e do jornalista, maiores as chances de aproveitamento. Assessoria de imprensa faz mediação, não milagre. O gabarito é a letra C porque ela traduz exatamente essa lógica: a oferta de notícias adaptadas à pauta e ao formato de cada veículo aumenta a chance de publicação. Isso está alinhado com a prática de comunicação organizacional e assessoria de imprensa, em que o release é construído para ser noticiável e útil para a mídia, sem perder a lógica informativa. As demais alternativas caem em excessos ou equívocos: nem tudo que acontece vira notícia, o release não pode ignorar padrões jornalísticos, e a confiança no emissor continua sendo decisiva para um material ser aceito e divulgado. No jornalismo, até quando a notícia nasce na instituição, ela precisa parecer notícia de verdade.

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