A fotografia é um intrigante documento visual cujo conteúdo é a um só tempo revelador de informações e detonador de emoções”. Para o autor, o fascínio que a fotografia causou se deu pela capacidade de despertar “[...] sentimentos profundos de afeto, ódio ou nostalgia para uns, ou exclusivamente meios de conhecimento e informação para outros. (KOSSOY, 2001, p. 28. Adaptado.) A fotografia, aos poucos, foi ganhando mais espaço e sendo reconhecida como um importante documento histórico, como instrumento revelador da verdade, de momentos e fatos, de “um fragmento congelado de uma realidade materializada iconograficamente”. Logo, o jornalismo percebeu o potencial de transmitir informações por meio de imagens e adotou a fotografia para si. Sobre o papel do fotojornalismo, é INCORRETO afirmar que:
- A)O que se deve ter em mente é que a imagem, para o jornalismo, precisa informar algo que traga um “algo a mais”, que “acrescente algo” a um texto.
Certa: a imagem no jornalismo deve informar e agregar sentido ao texto, não ser apenas decoração.
- B)O lançamento do Daily Mirror– primeiro tabloide fotográfico –, em 1904, marcou uma nova etapa do fotojornalismo, em que as imagens deixam de ocupar um espaço secundário para se mostrarem tão importantes quanto o texto escrito.
Certa: o Daily Mirror é lembrado como marco do tabloide fotográfico e da valorização da imagem na imprensa.
- C)Os grandes acontecimentos históricos passaram a ser divulgados nos jornais por meio de reproduções feitas a partir da fotografia. Desse modo, o fotojornalismo foi ganhando notoriedade e importância diante da possibilidade de registrar a história no momento em que ela ocorre.
Certa: o fotojornalismo ganhou força justamente por registrar e divulgar acontecimentos históricos no momento em que ocorrem.
- D)Há, ainda, certa confusão entre os termos fotojornalista e fotodocumentarista. O que os difere é que o primeiro trata a fotografia como um projeto, e, nesse caso, o profissional vai a campo já tendo estudado e se aprofundado sobre o tema que registrará e as condições que enfrentará. O mesmo não ocorre com o fotodocumetarista, que logo precisa fotografar algum fato, sem poder se aprofundar sobre ele.
Errada: os conceitos foram trocados, porque o trabalho com projeto e aprofundamento prévio é do fotodocumentarista, não do fotojornalista.
Gabarito: D
O fotojornalismo nasce quando a imagem deixa de ser só enfeite e passa a disputar espaço com o texto na missão de informar. A foto boa, nesse contexto, não é a que apenas "ilustra bonito", mas a que acrescenta contexto, emoção, prova visual e até leitura própria do fato. Em outras palavras: ela precisa dizer alguma coisa que o texto sozinho talvez não conseguisse entregar com a mesma força. Historicamente, a imprensa foi incorporando a fotografia como testemunho do acontecimento, especialmente quando os jornais começaram a valorizar imagens em vez de depender só de desenhos e reproduções. Isso ajudou a consolidar a ideia de que a foto jornalística registra um instante relevante da realidade e, por isso, tem grande valor informativo e documental. A banca cobra também a diferença entre fotojornalismo e fotodocumentarismo. No fotojornalismo, a lógica é a cobertura do fato jornalístico, com rapidez e foco no acontecimento. Já o fotodocumentarismo costuma envolver um projeto mais amplo, com pesquisa, planejamento e aprofundamento prévio sobre o tema. A diferença está justamente no grau de preparo e no objetivo narrativo da imagem. Por isso, a letra D está incorreta: ela inverte os conceitos. Quem trabalha com projeto, estudo prévio e aprofundamento é o fotodocumentarista, e não o fotojornalista. O fotojornalista vai a campo para registrar o fato no calor do momento, com olhar jornalístico e necessidade de resposta rápida.