A respeito de experiências pioneiras na organização das relações entre governos e a imprensa no Brasil, assinale a opção correta.
- A)Em 1808, Dom João VI apoiou a criação do jornal A Imprensa Régia, com o objetivo de divulgar notícias favoráveis à Corte e combater as ideias republicanas, que já prosperavam na colônia.
Errada, porque a Imprensa Régia foi criada para imprimir publicações oficiais, e não para combater um suposto republicanismo já forte na colônia, o que desrespeita o contexto histórico de 1808.
- B)O Correio Braziliense, fundado por Hipólito José da Costa em 1808, era publicado em língua inglesa e tinha circulação restrita à cidade de Londres, razão pela qual não podia ser considerado um jornal brasileiro.
Errada, porque o Correio Braziliense foi publicado em inglês? Não: ele era em português e circulava a partir de Londres, mas isso não impede que seja considerado marco da imprensa brasileira.
- C)Exemplo precursor da compreensão de que o Estado precisa de repartições dedicadas à difusão de informações para a sociedade foi a iniciativa do presidente Nilo Peçanha, em 1909, de criar a Secção de Publicações e Bibliotheca para atendimento ao público, com informação, propaganda e publicações.
Certa, porque a Secção de Publicações e Bibliotheca, criada no governo de Nilo Peçanha, é apontada como iniciativa pioneira de comunicação pública e divulgação de informações ao cidadão.
- D)A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, os governos federal, estaduais, municipais e distrital passaram a regulamentar a função de porta-voz como privativa de jornalistas.
Errada, porque a Constituição de 1988 não tornou a função de porta-voz privativa de jornalistas; isso não existe como regra constitucional dessa forma.
- E)A participação de jornalistas em atividades de relações públicas junto à Presidência da República teve início no governo de Jânio Quadros, sob a coordenação do jornalista Carlos Castelo Branco.
Errada, porque a participação de jornalistas em relações públicas na Presidência não começou com Jânio Quadros nem sob essa coordenação específica, sendo a afirmação historicamente imprecisa.
Gabarito: C
Essa questão cobra os primeiros passos da comunicação institucional no Brasil, ou seja, quando o Estado começa a organizar formas permanentes de informar, divulgar atos e se relacionar com a imprensa e com o público. Antes de existir a estrutura moderna de assessoria de imprensa, propaganda oficial ou comunicação governamental, houve iniciativas bem iniciais que já apontavam nessa direção. O ponto mais importante aqui é a criação, no governo de Nilo Peçanha, da Secção de Publicações e Bibliotheca, em 1909, voltada ao atendimento ao público com informação, propaganda e publicações. Essa experiência é lembrada como um precursor da ideia de que o Estado precisa de repartições próprias para difundir informações à sociedade. Em outras palavras: não é só produzir norma, é também fazer a mensagem chegar. Simples assim, com carimbo e tudo. É por isso que o gabarito é a letra C. Ela traz justamente esse marco histórico inicial da organização estatal da informação pública no Brasil, anterior à consolidação das assessorias de comunicação do século XX. As demais alternativas misturam datas, funções e personagens de forma imprecisa. A banca gosta muito de cobrar esse tipo de percurso histórico: imprensa no período joanino, surgimento de órgãos de informação governamental e evolução da relação entre Estado e mídia. Se você lembrar desses marcos, já corta metade das armadilhas.