Acerca de produção cultural, julgue os próximos itens. I Para atuar na definição de prioridades, no desenho e no acompanhamento de projetos culturais, o profissional deve manter contato simultâneo com autores e artistas, bem como com outros intermediários. II É preciso que o gestor cultural entenda a lógica da cultura em sociedades complexas, ou seja, em sociedades cuja cultura é elitizada. III O administrador de projetos culturais, ao administrar um canal de acesso à cultura, visa fornecer conteúdos preferencialmente para as pessoas que já tenham conhecimento sobre cultura e desejam aprimorá-lo. Assinale a opção correta.
- A)Nenhum item está certo.
Errada, porque o item I está correto e impede a conclusão de que nenhum item está certo.
- B)Apenas o item I está certo.
Certa, pois apenas o item I descreve corretamente a atuação do profissional na produção cultural.
- C)Apenas o item II está certo.
Errada, porque o item II está incorreto ao associar sociedade complexa a cultura elitizada.
- D)Apenas os itens I e III estão certos.
Errada, porque o item III está incorreto ao defender prioridade para quem já conhece cultura.
- E)Apenas os itens II e III estão certos.
Errada, porque os itens II e III não estão corretos.
Gabarito: B
Produção cultural, em concurso, costuma cobrar uma visão bem prática do trabalho do gestor cultural: ele não atua isolado, ele articula pessoas, linguagem e interesse público. Quando o enunciado fala em definição de prioridades, desenho e acompanhamento de projetos culturais, a ideia central é rede de relacionamento: autor, artista, intermediários, patrocinadores, instituições e público precisam dialogar. Por isso o item I está correto, porque esse contato simultâneo faz parte da mediação cultural e da viabilização do projeto. O item II escorrega feio ao dizer que sociedades complexas são sociedades cuja cultura é elitizada. Sociedade complexa não significa cultura elitista. A noção de complexidade está ligada à diversidade de grupos, valores, repertórios e canais de produção e circulação cultural, não a uma cultura fechada para poucos. Na lógica da gestão cultural, entender essa complexidade é justamente reconhecer pluralidade, conflito e diferentes públicos. Já o item III também está errado porque um canal de acesso à cultura não deve ser pensado para quem já domina o assunto, mas para ampliar acesso, democratizar a fruição e alcançar novos públicos. Em comunicação pública e políticas culturais, a lógica é inclusão, acesso e formação de público, e não reforço de uma elite já iniciada. Assim, sobra apenas o item I como verdadeiro, o que torna correta a alternativa B. A questão explora exatamente essa diferença entre mediação cultural, elitização e democratização do acesso, três palavras que a banca adora misturar para ver se você pisca.