Considerando que o processo de produção da notícia em veículos públicos de comunicação está submetido a contextos institucionais e princípios éticos, assinale a opção correta.
- A)Na falta de imagens para ilustrações factuais, permite-se usar as de arquivos, dispensando-se a remissão a datas pretéritas nas legendas.
Errada, porque imagens de arquivo usadas para ilustrar fato atual devem ser identificadas como antigas, com remissão à data pretérita, para não induzir o público ao erro.
- B)Os entrevistados gravados por câmeras devem, sempre que possível, assinar um termo de autorização para uso jornalístico de suas imagens.
Certa, porque o uso jornalístico da imagem de entrevistado gravado deve ser autorizado sempre que possível, em respeito ao direito de imagem e aos princípios éticos da atividade.
- C)Em consonância com a atuação punitiva dos órgãos de combate ao crime, órgãos de imprensa revestem-se da prerrogativa de publicar flagrantes de ilícitos.
Errada, porque órgão de imprensa não tem prerrogativa punitiva nem pode tratar flagrante de ilícito como licença para exposição sem limites; deve respeitar legalidade e direitos fundamentais.
- D)Não sendo possível a realização de imagens, o procedimento jornalístico padrão é a reconstituição gráfica ou cênica do acontecimento.
Errada, porque a reconstituição gráfica ou cênica não é o procedimento padrão, mas um recurso excepcional quando não houver imagem real, além de precisar ser claramente identificada.
- E)Indivíduos em aglomerações perdem o direito à privacidade, se eventualmente singularizados em atitudes indiscretas.
Errada, porque estar em aglomeração não faz a pessoa perder automaticamente a privacidade, e a singularização em atitude indiscreta não autoriza, por si só, exposição indiscriminada.
Gabarito: B
Em jornalismo, especialmente em veículos públicos de comunicação, a produção da notícia não vale tudo: ela precisa respeitar ética, direito de imagem, privacidade e o dever de não induzir o público ao erro. A notícia pode circular rápido, mas a cautela continua sendo parte do pacote, principalmente quando envolve pessoas identificáveis. A lógica geral é simples: se a imagem foi captada em contexto jornalístico, isso não significa licença automática para qualquer uso. Quando a pessoa é gravada ou fotografada, o ideal é haver autorização para uso jornalístico, sobretudo quando a imagem identifica o entrevistado e não se trata de mera cobertura de fato público em local público. Em termos práticos, isso protege o veículo e a dignidade do retratado. O item B está correto porque reflete exatamente essa prudência ética: sempre que possível, o entrevistado gravado por câmeras deve assinar termo autorizando o uso de sua imagem para fins jornalísticos. Isso conversa com o direito de imagem e com a proteção da personalidade, que aparecem no Código Civil e na lógica constitucional de tutela da honra, da intimidade e da imagem (art. 5º, X, da CF). As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: imagem de arquivo precisa ser identificada como antiga; flagrante de crime não dá à imprensa poder punitivo; reconstituição não é regra padrão, mas recurso excepcional e devidamente identificado; e aglomeração não elimina automaticamente privacidade. Em prova, desconfie de frases absolutas como "sempre", "dispensa-se" e "perdem o direito". A banca adora essas armadilhas com cara de certeza demais.