Com referência ao processo de comunicação entre o governo e a sociedade, assinale a opção correta.
- A)O processo de comunicação entre os entes governamentais e a sociedade permanece pautado pelo modelo emissormensagem-receptor.
Errada, porque a comunicação governo-sociedade hoje não se resume ao modelo linear emissor-mensagem-receptor, já que há interação e retroalimentação em múltiplos canais.
- B)O uso crescente de redes sociais nas organizações tornou mais complexos os fluxos de comunicação, permitindo a comunicação direta entre governo e cidadão, sem a mediação dos meios de comunicação.
Certa, porque as redes sociais tornaram os fluxos comunicacionais mais complexos e viabilizaram comunicação direta entre governo e cidadão, sem depender exclusivamente da mediação jornalística.
- C)As redes sociais afetaram, de forma radical, a circulação e o consumo de informações na sociedade, mas sem impacto nas relações que a mídia estabelece com as fontes de informação.
Errada, porque as redes sociais alteraram não só a circulação de informações, mas também a relação entre mídia e fontes, com maior disputada de agenda e acesso direto às fontes.
- D)As relações entre a comunicação governamental e a mídia são marcadas por situações de conflito permanente, pois assessores e jornalistas têm culturas profissionais distintas e interesses antagônicos nesse processo.
Errada, porque embora haja tensões entre assessores e jornalistas, não se pode falar em conflito permanente e absoluto, já que também existem cooperação e interdependência.
- E)A cobertura dos escândalos políticos, sob o enfoque da sociologia da comunicação, é consequência direta do viés narcotizante da mídia em face da crise moral e ética das instituições.
Errada, porque mistura conceitos de forma imprecisa e atribui o enquadramento dos escândalos a uma consequência direta do viés narcotizante, o que não se sustenta assim.
Gabarito: B
A comunicação pública entre governo e sociedade não ficou presa ao velho esquema de um emissor falando e um receptor apenas ouvindo. Hoje, com internet e redes sociais, o fluxo é mais complexo, com interação, resposta rápida, circulação em rede e disputas de narrativa. Ou seja, o cidadão deixou de ser só plateia e passou a comentar, cobrar, compartilhar e até pautar o debate. Por isso, a ideia central da questão é perceber que as redes sociais ampliaram a possibilidade de comunicação direta entre governo e cidadão, reduzindo a dependência exclusiva da mídia tradicional como intermediária. Isso não significa que a imprensa perdeu importância, mas sim que surgiram canais mais imediatos e bidirecionais para a comunicação pública. A alternativa B está correta porque descreve exatamente essa mudança: os fluxos ficaram mais complexos e a comunicação direta se tornou possível. Em termos doutrinários, isso conversa com a noção de comunicação pública como diálogo e prestação de contas, e não como mera divulgação unilateral de atos governamentais. As demais alternativas erram ao simplificar demais ou ao exagerar conclusões. Em prova da CEBRASPE, desconfie quando o item vier com afirmações absolutas como "permanece", "sem impacto" ou "conflito permanente". Quase sempre a banca quer que você perceba a nuance.