Entre os preceitos do jornalismo de órgãos públicos estão o decoro profissional e os cuidados para que notícias e reportagens não resultem em danos a pessoas e coletividades. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.
- A)Crimes, violência e tragédias são tratados de acordo com os rigores do “jornalismo policial” e da exemplaridade em termos de condutas e costumes.
Errada, porque reduz crimes e tragédias ao modelo do jornalismo policial mais rígido e exemplarista, o que contraria a necessidade de apuração crítica e não sensacionalista.
- B)Pauta e cobertura devem ser organizadas de forma a ampliar a diversidade dos interlocutores, não se restringindo ao âmbito das delegacias.
Certa, porque a cobertura pública deve ampliar fontes e interlocutores, evitando ficar restrita ao ambiente das delegacias e enriquecendo a contextualização do fato.
- C)Ações de marketing em consonância com as campanhas de paz devem ser um dos objetivos da comunicação pública vinculada ao noticiário policial.
Errada, porque mistura comunicação pública com ação de marketing e campanha, distorcendo a finalidade jornalística, que é informar com interesse público.
- D)Os repórteres dos veículos públicos de comunicação devem se esforçar para obter e divulgar corretamente os nomes das pessoas envolvidas em delitos.
Errada, porque a mera divulgação correta de nomes não é o núcleo ético do jornalismo público; além disso, a opção não trata do princípio central de pluralidade e contextualização.
- E)O jornalismo-cidadão encampa o realismo da crônica policial, sem que isto implique um tratamento sensacionalista dos fatos.
Errada, porque associa jornalismo-cidadão à crônica policial de forma genérica e ainda tenta afastar o risco de sensacionalismo, mas não enfrenta o problema ético principal da cobertura.
Gabarito: B
No jornalismo de órgãos públicos, a lógica não é fazer espetáculo com tragédia, mas informar com responsabilidade. Isso conversa diretamente com princípios éticos clássicos da profissão, como o respeito à dignidade das pessoas, a apuração correta e a busca do interesse público sem causar dano desnecessário. Em outras palavras: notícia boa não é notícia que machuca de graça. Quando o tema é crime, violência ou tragédia, a cobertura precisa fugir do olhar estreito e repetitivo do noticiário policial tradicional, que muitas vezes reduz tudo a boletim de delegacia. A comunicação pública deve ampliar o debate, ouvir diferentes fontes e contextualizar o fato, em vez de transformar o caso em uma narrativa presa ao flagrante, à perícia e ao sensacionalismo. É por isso que a alternativa B está correta: ela aponta a necessidade de organizar pauta e cobertura com diversidade de interlocutores, e não limitar a apuração ao ambiente policial. Isso é coerente com a função pública da comunicação, que deve informar de modo plural, contextualizado e socialmente responsável. As demais opções escorregam para sensacionalismo, foco excessivo em nomes de envolvidos ou uma visão de marketing que não traduz o papel jornalístico. Em prova, sempre desconfie quando a alternativa transforma jornalismo público em show de tragédia ou em mera vitrine de delegacia.