A respeito das relações entre os sistemas de mídia e os sistemas políticos, assinale a opção correta.
- A)Em uma situação ideal, em que o sistema de mídias fosse marcado por grande diversidade de vozes e pontos de vista, a agenda pública teria condições de refletir melhor a diversidade de temáticas e pontos de vista da sociedade, contribuindo, assim, para o fortalecimento da democracia.
Certa, porque a diversidade de vozes na mídia favorece uma agenda pública mais plural e fortalece a democracia.
- B)O acesso à mídia pelos variados atores sociais — elites econômicas, sindicatos ou organizações territoriais — depende do desenvolvimento de estratégias similares de construção de visibilidade e de sensibilização dos jornalistas.
Errada, porque o acesso à mídia não depende apenas de estratégias similares, já que há assimetrias de poder, recursos e visibilidade entre os atores.
- C)Com o surgimento das tecnologias digitais, não é mais possível falar-se em concentração da propriedade dos meios de comunicação, pois a internet e as redes sociais diversificaram o acesso ao espaço público, eliminando os oligopólios nacionais e regionais que dominavam o setor.
Errada, porque as tecnologias digitais ampliaram o acesso, mas não eliminaram a concentração da propriedade nem os oligopólios midiáticos.
- D)A mídia pode ser considerada um ator político, pois ela é capaz de adaptar sua agenda à agenda políticogovernamental.
Errada, porque a mídia pode ser ator político, mas não por adaptar sua agenda à agenda governamental; isso simplifica indevidamente a relação entre ambos.
- E)A mídia, como uma arena política, constitui-se em um espaço igualitário de discussão entre os diferentes atores que acedem à agenda midiática.
Errada, porque a mídia não é uma arena igualitária: o acesso à agenda midiática é desigual e depende de diversos filtros e hierarquias.
Gabarito: A
A relação entre mídia e sistema político gira em torno de duas ideias centrais: a mídia informa, pauta debates e influencia a opinião pública, enquanto o sistema político tenta responder, disputar ou se adaptar a essa visibilidade. Em democracias, quanto maior a pluralidade de veículos e de vozes, maior a chance de a agenda pública refletir os vários interesses e problemas da sociedade. Isso não significa perfeição, mas significa mais espaço para diversidade e menos monopólio da conversa pública. É exatamente isso que a alternativa A descreve. Se o sistema de mídia é diverso, com vários pontos de vista circulando, a agenda pública tende a ser mais plural e a democracia sai ganhando, porque o debate deixa de ficar preso a um grupo pequeno de emissores. Essa é uma leitura muito alinhada com a teoria da agenda pública e com a ideia de esfera pública plural, bastante usada em Comunicação Social. As demais alternativas escorregam em exageros ou simplificações. A mídia não é um espaço igualitário por natureza, a internet não acabou com a concentração da propriedade, e a relação entre mídia e política não funciona como uma simples adaptação automática de uma agenda à outra. Em prova, desconfie sempre de frases absolutas como "não é mais possível", "eliminou" ou "espaço igualitário": quase sempre vem pegadinha aí.