A degradação ambiental tem um impacto negativo em diversos aspectos da saúde humana. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 24% da carga global de doenças e 23% das mortes prematuras podem ser atribuídas a fatores ambientais modificáveis. (https://www.bio.fiocruz.br/index.php/en/noticias/3227-o-que-a-sua-saude-tem-aver-com-a-natureza) Veja a seguir algumas alterações de causa antrópica sobre os ecossistemas: 1. Desmatamento. 2. Aumento da temperatura média do planeta e alteração nos padrões de precipitação. 3. Poluição do ar por material particulado e gases como o monóxido de carbono. 4. Poluição de rios e lagos por lançamento de esgoto doméstico. 5. Descarte irregular de lixo. 6. Introdução de espécies exóticas. Algumas das alterações listadas acima podem contribuir para intensificar o número de casos de dengue. Tais alterações estão indicadas por
- A)1, 3 e 4.
Errada, porque poluição do ar e de rios/lagoas não são os fatores mais diretamente ligados à multiplicação do mosquito da dengue nesta questão.
- B)2, 3 e 6.
Errada, porque a introdução de espécies exóticas não é o fator clássico que intensifica dengue, embora mudanças climáticas possam influenciar vetores.
- C)3, 4 e 5.
Errada, porque poluição do ar, esgoto em rios e lagos e lixo podem impactar a saúde, mas não formam aqui o conjunto mais característico de aumento de dengue.
- D)1, 2 e 5.
Certa, porque desmatamento, aquecimento global com alterações de chuva e descarte irregular de lixo favorecem o ambiente do Aedes aegypti e aumentam o risco de dengue.
- E)2, 4 e 6.
Errada, porque poluição hídrica e espécies exóticas não são, neste enunciado, os três fatores mais associados ao aumento de casos de dengue.
Gabarito: D
A dengue tem tudo a ver com o ambiente, porque o Aedes aegypti adora água parada, calor e locais com maior presença humana. Quando o clima esquenta e a chuva fica irregular, criam-se condições mais favoráveis para a reprodução do mosquito e para a ampliação da área de ocorrência da doença. Além disso, o desmatamento pode alterar o microclima local, aumentar temperaturas e favorecer desequilíbrios ecológicos que ajudam vetores a se espalhar. O descarte irregular de lixo também pesa bastante, porque recipientes, pneus, garrafas e entulhos acumulam água e viram criadouros perfeitos. Em resumo: qualquer alteração que aumente a oferta de água parada, calor e adaptação do vetor ao ambiente urbano tende a intensificar casos de dengue. Por isso, o gabarito é a letra D, que reúne 1, 2 e 5. O item 1, desmatamento, pode favorecer mudanças microclimáticas; o item 2, aumento da temperatura média e alteração das chuvas, amplia condições para o mosquito; e o item 5, descarte irregular de lixo, cria criadouros. Os itens 3, 4 e 6 não são os mais diretamente associados ao aumento da dengue nessa lógica da questão. Na prática, a dengue é um ótimo exemplo de como saúde humana e ecologia andam juntas. A OMS e a abordagem de Saúde Única reforçam exatamente isso: mexeu no ambiente, mexeu no risco de doença.