A inclusão das amostras envolve um meio de inclusão em estado líquido, que ao se solidificar, forma um bloco contendo o material biológico. O meio de inclusão mais amplamente utilizado para a microscopia de luz é a parafina. Sobre a parafina, assinale a alternativa correta:
- A)Para que os tecidos sejam infiltrados pela parafina, é preciso que se atinja seu ponto de fusão, aproximadamente 90°C, em estufa histológica.
Errada, porque a infiltração com parafina não exige ponto de fusão de 90°C, e o aquecimento excessivo pode até prejudicar o tecido.
- B)O tempo de conservação dos blocos de parafina é curto e, por isso, geralmente, outros meios de inclusão são mais utilizados.
Errada, porque os blocos de parafina têm boa durabilidade e são amplamente usados justamente por permitirem conservação por longos períodos.
- C)A parafina é pouco solúvel em álcool. Dessa maneira, faz-se necessário que o álcool presente nas peças seja substituído por um produto com o qual a parafina tenha afinidade, como o xilol.
Certa, porque a parafina não tem afinidade com o álcool e, por isso, o álcool é substituído por um solvente de diafanização, como o xilol, que é compatível com a parafina.
- D)A parafina é um produto derivado do petróleo, e sua afinidade por água permite a inclusão de tecidos muito hidratados.
Errada, porque a parafina é hidrofóbica e não possui afinidade com água; tecidos muito hidratados precisam passar antes por desidratação.
- E)Em temperaturas muito baixas, a parafina pode causar danos ao tecido, tornando as peças muito retraídas e com rigidez exagerada, dificultando sua seção.
Errada, porque a retração e a rigidez exagerada podem ocorrer por processamento inadequado, mas a afirmação não descreve corretamente a propriedade da parafina nem seu uso técnico.
Gabarito: C
Na técnica histológica, a inclusão serve para dar suporte ao tecido depois da desidratação e da diafanização, permitindo cortar lâminas bem finas no micrótomo. A parafina é o meio de inclusão mais comum na microscopia de luz porque forma um bloco firme, fácil de manusear e com boa conservação do material. Parece simples, mas a lógica é quase uma troca de “líquidos que não se misturam” com um final bem organizado: a água sai, entra um solvente compatível com a parafina, e só então o tecido recebe a parafina derretida. É por isso que a alternativa C está correta. A parafina não se mistura bem com água e também tem pouca afinidade com álcool; então, antes da inclusão, o álcool usado na desidratação precisa ser substituído por um agente de diafanização, como o xilol, que é miscível com a parafina. Depois dessa etapa, a parafina penetra no tecido e, ao resfriar, solidifica formando o bloco. Esse é o raciocínio clássico da rotina histológica. Um detalhe importante: a parafina usada em histologia não exige 90°C para infiltração. Em geral, ela funde em temperaturas bem mais baixas, e o aquecimento é controlado para não danificar o tecido. Também não é um meio indicado por afinidade com água, justamente o contrário: o tecido precisa estar desidratado. Em prova, quando a banca mistura temperatura, solubilidade e conservação, ela quer ver se você entendeu o caminho da amostra, não só decorou o nome do reagente. Resumo da ópera: parafina gosta de tecido seco e de um intermediário como o xilol; água, ela passa longe. Quando você lembra dessa sequência, a questão fica bem mais amigável.