A água central do Atlântico Sul é transportada pela Corrente do Brasil entre 200 e 500 m de profundidade, ao longo do talude continental e próximo à quebra da plataforma continental. É uma massa de água rica em nutrientes inorgânicos, com maiores concentrações de oxigênio. A interação e mistura entre as diferentes massas de água produzem regiões com grande abundância biológica que são as frentes oceanográficas como: frentes na quebra de plataforma; frentes de ressurgência; e frentes devido a plumas de rios, como em Cabo Frio, onde as plumas de ressurgência são consideradas um dos mais significantes mecanismos responsável pelo incremento da produção biológica na região. (Fonte: PEREIRA, M. D.; SCHETTINI, C. A. F.; OMACHI, C. Y. Caracterização de feições oceanográficas na plataforma de Santa Catarina através de imagens orbitais. Revista Brasileira de Geofísica, v. 27, n. 1, p. 81–93, jan. 2009. Adaptado) As frentes oceanográficas favorecem a produtividade líquida do ecossistema, pois são ricas em nutrientes como nitratos e fosfatos. Para o cálculo da produtividade líquida, expressa em gramas ou quilogramas de matéria orgânica seca por metro quadrado por ano, é preciso:
- A)adicionar à produtividade primária bruta o que foi consumido pelos produtores na respiração. O fitoplâncton, presente na zona fótica, é a base de cadeias alimentares aquáticas;
Errada, porque a produtividade líquida não soma o gasto respiratório dos produtores à produtividade bruta, ela o desconta.
- B)subtrair da produtividade primária bruta o que foi consumido pelos produtores na respiração. O fitoplâncton, presente na zona fótica, é a base de cadeias alimentares aquáticas;
Certa, pois a produtividade primária líquida é a produtividade primária bruta menos a respiração dos produtores.
- C)adicionar à produtividade primária bruta o que foi usado pelos consumidores na respiração. O fitoplâncton, presente na zona batial, é a base de cadeias alimentares aquáticas;
Errada, porque a respiração dos consumidores não entra no cálculo da produtividade primária líquida, e o fitoplâncton não é típico da zona batial.
- D)subtrair da produtividade primária bruta o que foi consumido pelo ser vivo na fotossíntese. O fitoplâncton, presente na zona batial, é a base de cadeias alimentares aquáticas;
Errada, porque fotossíntese não é algo “consumido pelo ser vivo”, e a zona batial não é a região de maior fotossíntese.
- E)adicionar à produtividade primária bruta o que foi usado pelos produtores na respiração. O fitoplâncton, presente na zona batial, é a base de cadeias alimentares aquáticas.
Errada, porque o cálculo não soma a respiração dos produtores à produtividade bruta e o fitoplâncton não caracteriza a zona batial.
Gabarito: B
Produtividade em ecologia é a “conta” da matéria orgânica produzida pelos organismos autotróficos, especialmente o fitoplâncton nos ambientes aquáticos. Primeiro vem a produtividade primária bruta (PPB), que é toda a energia/matéria orgânica fixada na fotossíntese. Depois, é preciso descontar o que os próprios produtores gastam na respiração. O resultado disso é a produtividade primária líquida (PPL), que é o que realmente sobra para crescer e sustentar os demais níveis da cadeia alimentar. Em fórmula, fica assim: PPL = PPB - respiração dos produtores. Por isso, a alternativa correta é a B: ela traz exatamente a ideia de subtrair da produtividade primária bruta o que foi consumido pelos produtores na respiração. É um detalhe clássico de prova: muita gente olha só para “nutrientes” e esquece que a conta ecológica sempre desconta o custo respiratório. O texto ainda ajuda ao citar o fitoplâncton na zona fótica, porque é ali que há luz suficiente para fotossíntese. Sem luz, não há base produtiva relevante. Já a zona batial é profunda e não é o “palco principal” da fotossíntese, então qualquer alternativa que jogue o fitoplâncton lá está tropeçando bonito. Em ecologia, esse raciocínio é bem padrão de livros didáticos e cai muito em provas da FGV: produtividade bruta, respiração e produtividade líquida formam uma tríade. Se você memorizar a lógica “o que produziu menos o que gastou”, já resolve boa parte dessas questões sem sofrimento.