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Biologia · FGV · 2025

Questão comentada de Biologia

O mercúrio (Hg) e sua forma mais biodisponível, o metilmercúrio (MeHg), são neurotoxinas que afetam o desenvolvimento e a função do sistema nervoso central. Para investigar se a biota de poças temporárias de água pode atuar como vetor de MeHg para o ecossistema terrestre, pesquisadores dosaram os níveis da substância presentes em poças temporárias e em populações de anfíbios presentes nessas poças. Foram coletadas amostras de ovos e de larvas de uma espécie de rã e de uma espécie de salamandra, bem como amostras de sangue e de tecidos de adultos de ambas as espécies. Os resultados mostraram que os níveis de mercúrio nos ovos dos anfíbios eram relativamente baixos – semelhantes aos da água das poças. O gráfico a seguir mostra os resultados das análises biológicas. (Fonte: https://phys.org/news/2019-07-bioaccumulationmethylmercury-wood-frogs-salamanders.html) A análise do gráfico permite observar a ocorrência de:

Gabarito: C

Aqui a ideia central é diferenciar três fenômenos parecidos, mas não iguais: bioacumulação, biomagnificação e diluição trófica. Na bioacumulação, a substância tóxica vai se acumulando no próprio organismo ao longo do tempo, porque a entrada supera a eliminação. Já a biomagnificação acontece quando essa substância aumenta de concentração ao longo da cadeia alimentar, passando de um nível trófico para outro. A diluição trófica seria o contrário: a concentração cairia nos níveis mais altos, o que não é o caso do mercúrio neste contexto. No enunciado, os ovos tinham níveis baixos, próximos aos da água, o que mostra que a contaminação começa no ambiente. Depois, o gráfico indica aumento do metilmercúrio nos organismos à medida que eles crescem e se alimentam, especialmente nas larvas de salamandras. Isso é um sinal clássico de bioacumulação, porque o organismo vai incorporando o contaminante ao longo do tempo e ele não é eliminado com facilidade. O ponto-chave é que, se essas larvas forem consumidas por outros animais, o metilmercúrio pode ser transferido para o próximo nível trófico e aí sim ocorrer biomagnificação. Como o MeHg é lipossolúvel e muito persistente, ele tende a permanecer nos tecidos e subir na cadeia alimentar, o que o torna tão perigoso para ecossistemas e para a saúde humana. Por isso, a alternativa C está correta: ela reconhece a bioacumulação nas larvas de salamandra e ainda aponta a possibilidade de biomagnificação caso haja predação. É exatamente o tipo de raciocínio ecológico que a FGV gosta: observar o dado, identificar o processo e não cair na armadilha de trocar um termo pelo outro.

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