Os centros de origem de certas espécies limitam-se mutuamente ao longo das margens opostas do rio Amazonas e seus principais tributários. Pesquisadores sugeriram que essas formas teriam se originado in situ, durante o Pleistoceno ou períodos geológicos anteriores. (Adaptado de Haffer, J., & Prance, G. T. Impulsos climáticos da evolução na Amazônia durante o Cenozóico: sobre a teoria dos Refúgios da diferenciação biótica. Estudos Avançados, 16(46), 2002) O tipo de especiação sugerido pelo texto é a
- A)alopátrica, onde uma barreira geográfica separa uma população inicial em duas, possibilitando o isolamento reprodutivo e o surgimento de espécies distintas.
Correta: o rio funciona como barreira geográfica, caracterizando especiação alopátrica.
- B)simpátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas, possibilitando o surgimento de mecanismos de isolamento estacional, ainda que haja fluxo gênico entre as duas novas espécies.
Errada: simpátrica não depende de barreira geográfica, e a descrição mistura isolamento comportamental e estacional de forma incoerente.
- C)alopátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas, possibilitando o isolamento estacional, ainda que haja fluxo gênico entre as duas novas espécies.
Errada: alopátrica envolve barreira geográfica, não comportamental, e isolamento estacional não combina com o mecanismo descrito.
- D)simpátrica, onde uma barreira geográfica separa uma população inicial em duas, possibilitando o surgimento de mecanismos de isolamento reprodutivo e o surgimento de espécies distintas.
Errada: simpátrica não ocorre com separação por barreira geográfica, porque isso já seria um caso de alopatria.
- E)parapátrica, onde uma barreira comportamental separa uma população inicial em duas e, mesmo que não exista uma barreira física para o fluxo gênico, as populações não cruzam aleatoriamente.
Errada: parapátrica não é definida por barreira comportamental, e a alternativa mistura conceitos de forma imprecisa.
Gabarito: A
A questão trata de especiação, isto é, o processo pelo qual uma população dá origem a novas espécies. Em geral, isso acontece quando o fluxo gênico entre grupos fica reduzido ou interrompido, permitindo que diferenças genéticas se acumulem ao longo do tempo. Em Ecologia e Evolução, a pista principal costuma ser o tipo de isolamento envolvido: geográfico, ecológico, comportamental ou temporal. No texto, há uma referência clara às margens opostas do rio Amazonas e seus tributários. Um rio desse porte funciona como uma barreira física, dificultando ou impedindo o cruzamento entre populações. Quando uma população fica separada por uma barreira geográfica, ocorre especiação alopátrica. A ideia de surgimento de formas “in situ” no Pleistoceno também combina com populações isoladas por mudanças ambientais e geográficas ao longo do tempo. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela descreve corretamente a especiação alopátrica como o processo em que uma barreira geográfica divide a população inicial, favorecendo isolamento reprodutivo e, com o passar do tempo, o surgimento de espécies distintas. Em outras palavras: o rio separa, a evolução faz o resto. As demais alternativas trocam o tipo de especiação ou confundem o mecanismo de isolamento. Em prova da FGV, vale ficar atento a esse detalhe: se aparece barreira física, pense primeiro em alopatria; se não há separação geográfica, aí sim entram outras hipóteses como simpátrica ou parapátrica.