O exame de diásporos aderidos à roupa de um cadáver retirado das águas de um lago, permitiram inferir o tipo de ambiente por onde a vítima teria estado (diferente do local onde o corpo foi encontrado) e também que a vítima esteve deitada em decúbito ventral sobre os vegetais dos diásporos. O material vegetal analisado consistia de dois pequenos frutos secos: um tipo de “pega-pega” e uma espécie de “carrapicho”. O caso descrito envolve o conhecimento de uma forma de dispersão de frutos e sementes conhecida como
- A)anemocoria.
Errada: anemocoria é a dispersão pelo vento, típica de sementes leves ou aladas, e não de estruturas que grudam em roupas ou pelos.
- B)endozoocoria.
Errada: endozoocoria ocorre quando o animal ingere o fruto ou a semente e depois elimina o diásporo nas fezes, não quando ele carrega o material por fora.
- C)epizoocoria.
Certa: epizoocoria é a dispersão quando frutos ou sementes se prendem externamente ao corpo de animais ou roupas, como “carrapichos”.
- D)autocoria.
Errada: autocoria é a dispersão feita pela própria planta, sem depender de vento ou animais, como frutos que se abrem e lançam sementes.
- E)mirmecocoria.
Errada: mirmecocoria é a dispersão feita por formigas, geralmente associada a sementes com estruturas nutritivas, e não por aderência externa.
Gabarito: C
A questão fala de dispersão de frutos e sementes, ou seja, de como os diásporos se espalham pelo ambiente. Em botânica, isso recebe nomes diferentes conforme o “meio de transporte”: vento, água, animais, explosão do próprio fruto e assim por diante. O detalhe decisivo aqui é que os diásporos estavam aderidos à roupa do cadáver e, além disso, eram tipos de “pega-pega” e “carrapicho”, estruturas com ganchos ou superfícies grudantes, feitas justamente para agarrar em pelos, penas ou tecidos. Quando a semente ou o fruto viaja preso ao corpo de um animal, chama-se epizoocoria. O prefixo “epi” indica “sobre”, isto é, por fora do organismo que faz o transporte. Na prática, é o mesmo truque do carrapicho que volta para casa de carona sem pagar passagem. Esse mecanismo é muito comum em plantas cujos frutos secos têm espinhos, ganchos ou substâncias aderentes. Por isso o gabarito C está correto: os frutos secos analisados eram adaptados para se prender ao exterior de um transportador, e o corpo da vítima funcionou como esse vetor. O enunciado até ajuda bastante ao mencionar “pega-pega” e “carrapicho”, que são exemplos clássicos de estruturas epizoocóricas. Só para não confundir: não se trata de dispersão pelo vento, pela ingestão por animais, pela própria abertura do fruto ou por ação de formigas. Aqui o ponto central é a adesão externa aos tecidos da vítima, o que caracteriza exatamente a epizoocoria.