Na bacia Amazônica, a distribuição de muitas espécies de vertebrados terrestres é delimitada por grandes rios, os quais são frequentemente considerados barreiras biogeográficas fortemente relacionadas à origem e manutenção da alta biodiversidade encontrada na região. O rio Tapajós atua como barreira fluvial sobre a variabilidade genética, acústica e morfológica em populações do anuro Allobates tapajos (Dendrobatidae). O conjunto de resultados obtidos suporta o atual status específico das populações de ambas as margens do rio Tapajós estarem em um estágio do processo de especiação (adaptado de https://bdtd.inpa.gov.br/handle/tede/2279). O processo de especiação aqui observado é a
- A)alopátrica, pois o isolamento geográfico não favorece o fluxo gênico entre as populações.
Correta, porque o rio impõe isolamento geográfico e reduz o fluxo gênico entre as populações.
- B)simpátrica, pois o isolamento geográfico pode contribuir com a seleção disruptiva.
Errada, porque especiação simpátrica ocorre sem barreira geográfica e não é o caso descrito.
- C)alopátrica, pois o isolamento geográfico favorece o fluxo gênico entre as populações e promove a seleção estabilizadora.
Errada, porque isolamento geográfico não favorece fluxo gênico; ele o dificulta ou interrompe.
- D)simpátrica, pois o isolamento geográfico não favorece o fluxo gênico entre as populações.
Errada, porque simpátrica não envolve separação física por rio, e sim divergência na mesma área.
- E)alopátrica, pois mesmo com o isolamento geográfico favorecendo o fluxo gênico entre as populações, ocorre seleção disruptiva.
Errada, porque a lógica está invertida: se há isolamento geográfico, o fluxo gênico não é favorecido.
Gabarito: A
Quando uma população fica dividida por uma barreira física, como um grande rio, o fluxo gênico entre os indivíduos cai ou até desaparece. Sem troca de genes, cada lado passa a evoluir de forma independente, acumulando diferenças genéticas, acústicas e morfológicas ao longo do tempo. Isso é o clássico cenário de especiação alopátrica: primeiro vem o isolamento geográfico, depois a divergência e, se o processo avançar, podem surgir espécies distintas. No caso de Allobates tapajos, o rio Tapajós funciona como uma barreira fluvial real, separando populações em margens diferentes. O enunciado diz justamente que há variabilidade genética, acústica e morfológica associada a esse isolamento, o que é bem compatível com um estágio de especiação em andamento por separação espacial. Por isso, o gabarito A está correto: especiação alopátrica ocorre quando o isolamento geográfico impede ou reduz o fluxo gênico entre populações. Em outras palavras, o rio faz o papel de porteiro rigoroso e não deixa os genes circularem livremente. Sem essa troca, a seleção natural, a deriva genética e o acúmulo de mutações podem levar à diferenciação progressiva. Em ecologia e evolução, essa é uma ideia central e muito cobrada: barreiras físicas podem iniciar a formação de novas espécies. Se a banca falar em rio, montanha, vale ou fragmentação de habitat, vale pensar primeiro em isolamento geográfico e especiação alopátrica.