“Uma das figuras mais carismáticas da fauna amazônica vive debaixo da água doce dos rios, os botos. Apesar de não serem bichos pequenos nem particularmente discretos por onde passam, ainda existem lacunas importantes sobre a ocorrência e ecologia dos botos na bacia amazônica. Após um levantamento de dados, comprovou-se a ocorrência de populações de três espécies de botos do estado do Amapá”. (O Eco, 30 de julho de 2021) Se compararmos as nadadeiras dos botos com as patas de uma onça, podemos dizer que elas são estruturas
- A)análogas, resultado da irradiação adaptativa.
Errada: estruturas análogas não resultam de irradiação adaptativa, e sim de convergência evolutiva, com origem diferente e função semelhante.
- B)homólogas, resultado da divergência evolutiva.
Certa: nadadeiras de botos e patas de onça são estruturas homólogas, derivadas de um mesmo plano ancestral, o que caracteriza divergência evolutiva.
- C)análogas, resultado da evolução convergente.
Errada: embora possa haver semelhança funcional em alguns contextos, a relação aqui não é de analogia por convergência, pois a origem evolutiva é comum.
- D)homólogas, resultado da convergência adaptativa.
Errada: homologia não decorre de convergência adaptativa; convergência é o mecanismo típico das estruturas análogas, não das homólogas.
- E)análogas, resultado da divergência evolutiva.
Errada: analogia não resulta de divergência evolutiva, porque divergência gera estruturas homólogas com funções distintas.
Gabarito: B
A questão explora um clássico da evolução: homologia e analogia. Estruturas homólogas têm a mesma origem embrionária e evolutiva, mas podem desempenhar funções diferentes. É o caso das nadadeiras dos botos e das patas da onça: ambas derivam de membros anteriores de vertebrados tetrápodes, com o mesmo plano estrutural básico, embora uma tenha sido adaptada para o nado e a outra para a locomoção terrestre. Quando uma estrutura se modifica ao longo do tempo para funções diferentes em espécies aparentadas, falamos em divergência evolutiva. Pense assim: o “modelo de fábrica” é o mesmo, mas cada linhagem deu um uso diferente para a peça. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Já estruturas análogas são parecidas na função, mas têm origem evolutiva diferente, surgindo por convergência evolutiva. É o típico caso de soluções parecidas para problemas parecidos, como asas de insetos e aves. Aqui, porém, não é isso que acontece com boto e onça. Resumo rápido para prova: homologia = mesma origem, função pode mudar; analogia = função parecida, origem diferente. A banca gosta muito dessa troca de nomes para ver se você confunde “parecido por origem” com “parecido por função”.