A fenilcetonúria ou PKU, como é mundialmente conhecida, é uma doença genética causada por uma mutação no gene que codifica a enzima fenilalanina-hidroxilase, responsável pela transformação do aminoácido fenilalanina (PHE) em tirosina. A elevação de fenilalanina no sangue acima de 10mg/dL permite a passagem em quantidade excessiva para o sistema nervoso central, no qual o acúmulo tem efeito tóxico. A PKU é determinada por um alelo recessivo do gene que codifica a enzima e a doença é, comumente, detectada pelo "teste do pezinho". (adaptado de https://www.scielo.br/j/rn/a/nL4Sv4c8k8hXxjXMRCdcnNh/?lang=pt) Em um casal, o marido é fenilcetonúrico e a esposa não, porém filha de um casal heterozigoto para a característica. Eles querem saber a chance de terem uma criança com a doença. A resposta a esta pergunta é
- A)1/2.
Errada, porque 1/2 seria a chance de um cruzamento aa x Aa em um caso isolado, mas aqui a esposa não tem genótipo definido e precisa ser considerada a probabilidade de ela ser portadora.
- B)1/4.
Errada, porque 1/4 não leva em conta que a esposa é saudável e filha de heterozigotos, o que altera a probabilidade final.
- C)1/3.
Certa, porque a esposa tem 2/3 de chance de ser heterozigota e, se for, o casal aa x Aa gera 1/2 de filhos afetados, resultando em 1/3.
- D)1/6.
Errada, porque 1/6 aparece se você mistura etapas de forma incompleta ou usa a probabilidade de ser portadora sem aplicar corretamente o cruzamento final.
- E)1/8.
Errada, porque 1/8 subestima a chance real e não corresponde ao cálculo genético pedido no enunciado.
Gabarito: C
A fenilcetonúria (PKU) é um exemplo clássico de herança autossômica recessiva. Isso significa que a doença só aparece quando o indivíduo recebe dois alelos recessivos, um de cada genitor. Quem tem apenas um alelo alterado costuma ser apenas portador, sem manifestar a doença. No enunciado, o marido é fenilcetonúrico, então seu genótipo é aa. A esposa não tem a doença, mas é filha de um casal heterozigoto (Aa x Aa). Nesse tipo de cruzamento, entre os filhos que não doentes, a distribuição fica: 1/3 AA e 2/3 Aa. Esse detalhe é o coração da questão, porque a esposa não é qualquer mulher saudável, ela vem de uma família em que a chance de ser portadora é maior. Agora vem a parte mais gostosa da genética: cruzando aa com a esposa, se ela for AA, nenhum filho terá a doença; se ela for Aa, metade dos filhos será aa. Então a chance final é 2/3 x 1/2 = 1/3. Por isso o gabarito é C. A banca quer que você saiba combinar probabilidade genética com o fato de que, sendo fenotipicamente normal e vinda de Aa x Aa, a esposa tem probabilidade 2/3 de ser heterozigota.