A detecção de bactérias resistentes a antibióticos triplicou durante a pandemia. Segundo o Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), ao longo da emergência sanitária causada pelo SARS-Cov-2, foi observado um aumento na disseminação das chamadas ‘superbactérias’, devido ao aumento do uso de antibióticos nos hospitais. Esse aumento no número de bactérias resistentes pode ser explicado porque
- A)os vírus SARS-Cov-2 transferem para as bactérias genes de resistência, permitindo sua sobrevivência em situações de estresse do meio.
Errada: vírus não transferem resistência para bactérias nesse contexto, e a resistência não surge por esse tipo de troca com o SARS-CoV-2.
- B)as bactérias são capazes de se adaptar às condições adversas dos hospitais, alterando seu metabolismo e desenvolvendo resistência à ação do antibiótico.
Errada: bactérias não se adaptam de forma dirigida alterando o metabolismo para “criar” resistência; o que ocorre é seleção de variantes já resistentes.
- C)os antibióticos exercem uma pressão seletiva sobre a população de bactérias, eliminando as não-resistentes e favorecendo a sobrevivência das resistentes.
Certa: o antibiótico mata as bactérias sensíveis e favorece a sobrevivência e reprodução das resistentes, caracterizando pressão seletiva.
- D)ao entrar em contato com os antibióticos, as bactérias desenvolvem resistência e podem sobreviver, passando suas características às gerações seguintes.
Errada: a frase sugere que o contato com antibiótico faz a bactéria desenvolver resistência de maneira direta, como se fosse uma resposta imediata, o que não explica o processo evolutivo corretamente.
- E)ocorre seleção artificial, na qual o antibiótico irá tornar certas bactérias de uma população adaptada ao seu ambiente, permitindo que elas originem novas bactérias resistentes.
Errada: não se trata de seleção artificial, porque o antibiótico não é um agente seletor planejado por ação humana nesse sentido; o fenômeno é de seleção natural.
Gabarito: C
Quando uma bactéria resistente aparece, o problema não é que o antibiótico “ensinou” a bactéria a ficar forte, nem que o vírus tenha passado genes mágicos para ela. O que acontece, na prática, é seleção natural: já existem algumas bactérias com mutações ou características que as deixam menos sensíveis ao antibiótico, e o medicamento elimina as mais vulneráveis. As resistentes sobrevivem, se multiplicam e passam a dominar a população. Isso ficou mais visível na pandemia porque o uso de antibióticos aumentou muito em hospitais, muitas vezes de forma ampla e preventiva. Quanto maior a exposição ao antibiótico, maior a pressão seletiva sobre as bactérias. É como se o ambiente “escolhesse” quem fica, só que a escolha não é consciente, é biológica. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Ela descreve corretamente que os antibióticos exercem pressão seletiva, eliminando as bactérias não resistentes e favorecendo a sobrevivência das resistentes. Esse é o raciocínio clássico da seleção natural aplicado à resistência bacteriana. Já as bactérias não desenvolvem resistência porque “querem” se adaptar no momento do contato. Primeiro surge a variação genética, depois o antibiótico seleciona. Essa diferença entre adaptação dirigida e seleção de variantes preexistentes é a chave da questão.