Durante o cultivo de células aderentes em um laboratório de biotecnologia, uma equipe observou que as células começaram a apresentar sinais de inibição por contato e redução da viabilidade. Além disso, houve dificuldades na adesão das células ao fundo das garrafas de cultivo recém-preparadas, prejudicando o processo de propagação celular. Considerando os princípios de propagação e adesão celular, o principal procedimento para resolver esses problemas e garantir o crescimento adequado da cultura é:
- A)Aumentar a concentração de nutrientes no meio de cultura para estimular a proliferação celular e compensar a inibição por contato.
Errada, porque aumentar nutrientes não elimina a inibição por contato nem substitui a necessidade de passagem celular quando a cultura fica muito densa.
- B)Utilizar frascos de metal contendo glicoproteínas de adesão, pois a carga positiva do metal, proveniente da ligação metálica, favorece a adesão celular.
Errada, pois frascos de metal não são o padrão para cultivo de células aderentes e a explicação sobre carga positiva do metal não se aplica ao processo real de adesão celular.
- C)Utilizar frascos de vidro sem qualquer tratamento prévio, pois esses materiais possuem grupos silicatos com carga positiva residual, o que elimina a necessidade de passagem periódica.
Errada, porque vidro sem tratamento não oferece a superfície adequada para adesão eficiente, e a afirmação sobre carga positiva residual dos silicatos está incorreta.
- D)Realizar a passagem das células periodicamente e garantir que as superfícies plásticas das garrafas sejam tratadas previamente com agentes químicos ou físicos para desenvolver carga negativa.
Certa, pois células aderentes exigem passagem periódica e superfícies tratadas para favorecer a adesão e manter o crescimento adequado da cultura.
Gabarito: D
Em cultura de células aderentes, a ideia central é simples: elas precisam de espaço, superfície adequada e tempo de controle. Quando a cultura fica muito densa, surge a inibição por contato, ou seja, as células param de se proliferar porque já ocuparam o ambiente. Nessas situações, o procedimento clássico é fazer a passagem celular periodicamente, isto é, desprender e redistribuir as células para novos frascos, evitando superconfluência e preservando a viabilidade. Além disso, células aderentes não gostam de qualquer superfície. Elas precisam se fixar a um substrato com tratamento específico, geralmente plástico para cultura celular, que recebe preparo físico ou químico para ficar mais favorável à adesão. Esse tratamento melhora a interação da célula com a superfície e ajuda a cultura a se expandir de forma adequada, sem sofrer estresse desnecessário. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela reúne exatamente os dois pontos que resolvem o problema descrito: passagem periódica para evitar a inibição por contato e superfície tratada para melhorar a adesão. Em biotecnologia, esse é o arroz com feijão do cultivo celular: controlar densidade e oferecer um substrato compatível. As demais alternativas tentam convencer com ideias que parecem bonitas, mas não fecham com a técnica de cultura celular. Nutriente em excesso não resolve limitação por espaço, metal não é o material padrão para adesão de células aderentes, e vidro sem tratamento não substitui o preparo correto da superfície. Em resumo: célula aderente gosta de cuidado, não de improviso.