Durante o processo de expansão de uma linhagem celular em um laboratório de biotecnologia, a equipe de pesquisa percebeu que, após várias passagens, as células começaram a perder características fenotípicas importantes. Para evitar novas alterações genéticas e garantir a preservação das características originais da linhagem, o supervisor orientou o congelamento das células. Com base nos princípios de criopreservação, a conduta mais adequada para preservar a viabilidade celular é:
- A)Substituir o meio de cultura por solução salina antes do congelamento para reduzir a formação de cristais de gelo e aumentar a viabilidade celular após o descongelamento.
Errada, porque solução salina não substitui crioprotetores e não evita adequadamente a formação de cristais de gelo durante o congelamento.
- B)Adicionar crioprotetores ao meio de cultura e congelar rapidamente as células, já que a presença dessas substâncias é suficiente para impedir a formação de cristais de gelo.
Errada, porque crioprotetores ajudam, mas o congelamento rápido aumenta o risco de dano celular e não é o procedimento ideal para preservar viabilidade.
- C)Realizar o congelamento rápido, imergindo diretamente as células em nitrogênio líquido a –196°C, pois esse método impede a formação de cristais de gelo no interior das células.
Errada, porque o congelamento direto e rápido em nitrogênio líquido pode intensificar a formação de cristais intracelulares, prejudicando as células.
- D)Utilizar o congelamento lento, diminuindo gradualmente a temperatura (1 a 2°C por minuto) com o uso de crioprotetores como DMSO ou glicerol, para reduzir a formação de cristais de gelo e preservar a integridade celular.
Certa, porque o congelamento lento com DMSO ou glicerol reduz os danos por cristalização e preserva melhor a viabilidade celular.
Gabarito: D
A criopreservação é usada para “pausar” a vida celular sem destruir a linhagem, mantendo as características originais por mais tempo. O ponto-chave é evitar que a água dentro e fora da célula forme cristais grandes, porque esses cristais rasgam membranas e organelas como se fossem pequenos estilhaços de gelo. Por isso, não basta simplesmente jogar a célula no frio mais extremo e torcer pelo melhor: o processo precisa ser controlado. Na prática, o método mais seguro costuma ser o congelamento lento, em torno de 1 a 2°C por minuto, associado a crioprotetores como DMSO ou glicerol. Esses agentes ajudam a reduzir o dano causado pelo gelo e favorecem a saída gradual de água da célula, diminuindo a chance de cristalização intracelular. Depois, as células são armazenadas em nitrogênio líquido para manutenção em baixíssima temperatura. É exatamente isso que a alternativa D descreve. Ela traz a combinação correta: congelamento lento + crioprotetor. Esse é o padrão clássico em biotecnologia e cultura de células porque preserva melhor a viabilidade e a integridade celular após o descongelamento. Já o congelamento rápido, sem controle, tende a ser mais agressivo e a formar mais cristais dentro da célula. Então, se a ideia é manter a linhagem estável, a receita é simples: controlar a velocidade do congelamento e usar substâncias que protegem a célula do gelo. Em prova, sempre desconfie de respostas que prometem que “congelar mais rápido resolve tudo”, porque na biologia o gelo adora virar vilão.