O nitrogênio (N) é um nutriente essencial requerido por todos os organismos vivos e, frequentemente, limita a produção primária em ecossistemas aquáticos e terrestres. Este elemento é necessário em grandes quantidades, uma vez que é componente essencial de proteínas, ácidos nucleicos e de outros constituintes celulares. Aproximadamente, 95% do N presente no solo se encontra na forma orgânica. Sobre o exposto, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A ureia é outra fonte de N orgânico liberada continuamente no ambiente por meio de processos biológicos, tal como a excreção de urina de mamíferos.
Certa: a ureia é uma fonte de nitrogênio orgânico e pode ser liberada no ambiente por excreção de mamíferos.
- B)Na nitrificação heterotrófica, o processo de oxidação da amônia está ligado à produção de energia, como ocorre na amonificação. A nitrificação é um dos processos do ciclo do N menos sensível aos metais pesados.
Errada: a oxidação da amônia na nitrificação não se confunde com amonificação, e a formulação sobre nitrificação heterotrófica e sensibilidade a metais pesados está conceitualmente incorreta.
- C)A ureia pode ser adicionada ao solo por meio de fertilizante, onde ela é hidrolisada para amônia e CO2 pela enzima urease. Esta enzima pode ser originária de micro-organismos e de plantas, sendo, por isso, de ampla distribuição nos solos.
Certa: a ureia usada como fertilizante é hidrolisada pela urease em amônia e CO2, enzima amplamente distribuída em microrganismos e plantas.
- D)O teor de umidade dos solos é outro fator a ser considerado em relação à abundância dos micro-organismos envolvidos na nitrificação. As arqueias parecem ser mais tolerantes ao estresse de água que as bactérias; isso pode estar relacionado à disponibilidade de O2.
Certa: a umidade afeta a nitrificação, e arqueias tendem a tolerar melhor estresse hídrico do que bactérias, em parte por causa das condições de oxigênio.
Gabarito: B
O ciclo do nitrogênio parece um carrossel bioquímico: o elemento sai da matéria orgânica, volta ao solo na forma mineral e segue sendo reutilizado pelos seres vivos. No solo, a maior parte do N fica na forma orgânica, e a transformação entre essas formas depende muito da ação de microrganismos, umidade, oxigênio e disponibilidade de matéria orgânica. Entre os passos mais cobrados estão a amonificação, que converte compostos orgânicos em amônia/amônio, e a nitrificação, que oxida o amônio até nitrito e depois nitrato. A ureia também entra nessa história: ela pode ser aplicada como fertilizante e é hidrolisada pela urease, gerando amônia e CO2. O ponto central da questão é que a alternativa B erra ao misturar conceitos. A oxidação da amônia na nitrificação é um processo de obtenção de energia ligado à quimioautotrofia, não à nitrificação heterotrófica, e também não ocorre da mesma forma que a amonificação. Além disso, a afirmação sobre ser um dos processos menos sensíveis aos metais pesados é inconsistente com a literatura ecológica, que mostra forte interferência desses contaminantes na atividade microbiana do ciclo do nitrogênio. Então, a banca quer que você perceba a confusão conceitual entre os processos do ciclo do N. Quando a alternativa embaralha nomes parecidos e ainda troca o papel energético das etapas, vale acender o alerta: aí costuma estar a incorreção.