Considerando que os biólogos evolucionistas fazem uma distinção entre os conceitos fisheriano e goldschmidtianum dos passos genéticos pelos quais as adaptações evoluem, analise as afirmativas a seguir. I. Goldschmidt argumentava que as novas adaptações e as novas espécies evoluem por micromutações (ou monstros esperançosos). Uma micromutação é uma mutação com um efeito fenotípico tão pequeno que faz com que o seu portador fique fora dos limites da variação normal de sua população. II. Fisher defendia que as macromutações contribuiam muito para a evolução, pois as mutações que contribuem para a evolução adaptativa teriam efeitos fenotípicos significativos. III. Segundo Goldschmidt, uma pequena mutação tem, portanto, 50% de chance de melhorar a adaptação. Uma grande mutação, porém, piorará as coisas de qualquer maneira. Está INCORRETO o que se afirma em
- A)I, II e III.
Correta, porque as três afirmativas trazem inversões e distorções dos conceitos de Fisher e Goldschmidt.
- B)II, apenas.
Errada, porque não é só a II que está incorreta; a I e a III também apresentam erro conceitual.
- C)III, apenas.
Errada, porque a III não é a única incorreta: as afirmativas I e II também estão erradas.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque I e II não estão corretas; ambas invertem as ideias atribuídas aos autores.
Gabarito: A
A questão cobra duas visões clássicas sobre a evolução das adaptações. Para Fisher, a evolução adaptativa ocorre principalmente por pequenas variações genéticas, acumuladas aos poucos pela seleção natural. Já Goldschmidt defendia uma visão mais polêmica, ligada a grandes mutações, os chamados “monstros esperançosos”, que poderiam gerar mudanças bruscas e, em casos raros, novas espécies. Em resumo: Fisher puxa para o efeito gradual das pequenas mutações, e Goldschmidt valorizava mutações grandes como possíveis saltos evolutivos. Agora vem o pulo do gato: a afirmativa I inverte os conceitos. Goldschmidt não falava em micromutações como base das novas adaptações, mas em macromutações. Além disso, a descrição de micromutação ali está sem sentido, porque uma mutação de efeito pequeno não tira necessariamente o indivíduo da variação normal da população. A afirmativa II também está errada, porque Fisher não defendia que macromutações tinham grande papel na evolução. O raciocínio fisheriano é justamente o contrário: mutações de pequeno efeito, somadas ao longo do tempo, explicariam a adaptação. A visão de grandes mutações como motor evolutivo é associada a Goldschmidt, não a Fisher. Por fim, a afirmativa III distorce completamente Goldschmidt ao atribuir a ele uma regra de “50% de chance” para pequenas mutações e uma condenação automática das grandes mutações. Isso não corresponde ao pensamento dele. Por isso, as três estão incorretas, e o gabarito é a alternativa A. Em provas, a banca gosta muito de trocar Fisher por Goldschmidt e fazer você cair na inversão clássica.