Sobre as evidências que apoiam a origem endossimbiótica das mitocôndrias e dos plastídeos, analise as afirmativas a seguir. I. Embora as mitocôndrias e os plastídeos se repliquem por um processo de divisão semelhante ao de certos procariotos, as membranas internas das duas organelas não contêm enzimas e sistemas de transportes homólogos àqueles encontrados na membrana plasmática de procariotos atuais. II. As mitocôndrias e os plastídeos possuem uma molécula de ácido desoxirribonucleico (DNA) circular que, a exemplo dos cromossomos de bactéria, está fortemente associada a histonas ou grandes quantidades de outras proteínas. III. Como esperado em organelas descendentes de organismos de vida livre, as mitocôndrias e os plastídeos não apresentam uma maquinaria celular (incluindo ribossomos) necessária para transcrever e traduzir suas proteínas em DNA. Está INCORRETO o que se afirma em
- A)I, II e III.
Correta, porque as três afirmativas apresentam erros conceituais sobre as evidências da origem endossimbiótica.
- B)I, apenas.
Errada, porque a afirmativa I também está incorreta, além das demais.
- C)III, apenas.
Errada, porque a afirmativa III não é a única incorreta, já que II e I também trazem informações falsas.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque as afirmativas II e III estão incorretas, mas a I também está.
Gabarito: A
A teoria endossimbiótica explica que mitocôndrias e plastídeos surgiram a partir de bactérias que passaram a viver dentro de outra célula, em uma parceria que deu muito certo. Por isso, elas guardam marcas de vida independente: têm DNA próprio, geralmente circular, ribossomos semelhantes aos bacterianos e se dividem por fissão binária, em um ritmo bem “procariótico”. A questão mistura essas pistas com afirmações erradas para ver se voce está atento. Na afirmativa I, a ideia central está trocada: as organelas possuem membranas com sistemas de transporte e componentes funcionais compatíveis com sua origem e atividade, então não faz sentido dizer que suas membranas internas não contêm enzimas e transportes homólogos aos de procariotos atuais. Já a afirmativa II erra ao atribuir forte associação do DNA dessas organelas a histonas, porque isso é típico do DNA nuclear eucariótico, não do DNA mitocondrial e plastidial. Na III, o erro é ainda mais direto: mitocôndrias e plastídeos têm ribossomos e maquinaria própria, embora limitada, para expressar parte de suas proteínas. Em termos clássicos de Biologia celular, o ponto-chave é este: organelas endossimbióticas não são “caixas vazias”. Elas mantêm traços de autonomia residual, mas não funcionam como células completas. É justamente essa combinação de independência parcial com dependência da célula hospedeira que sustenta a teoria endossimbiótica e derruba as três afirmativas da questão.